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El Periódico Extremadura | Domingo, 26 de janeiro de 2020

«O ‘{foodie}’ tem uma relação curiosa com a comida/almoço»

INÉS ÁLVAREZ epextremadura@elperiodico.com MADRID
08/12/2019

 

{Foodie} {love} é a primeira novela originalíssima espanhola de {HBO} e a primeira novela da diretora Isabel Coixet. Também, é a primeira vez que Guillermo Pfening e {Laia} Costa unem seus talentos para compor uma deliciosa história de desencontros e amor na qual a comida/almoço serve de fio condutor.

­—Isabel Coixet se declara ‘{foodie}’. ¿O eram vocês também antes de protagonizar esta série de culto à comida/almoço?

—{LAIA} COSTA (L. C.): Eu, sim. Gosto muito comer. E é muito interessante, porque quando {estás} com Isabel Coixet, que é a mais {foodie} do planeta Terra, podes estar onde seja que se lhe {pides} que te recomende um restaurante ou um bar, ela te dirá: «As croquetes ali, mas o cocktail lá». Temos estados três meses com ela e nos levou a todos os seus cantos, seus sítios favoritos. Com o que com Guillermo e eu nos temos ido embebendo de tudo isto.

—GUILLERMO PFENING (G. P.): Eu agora estou como reformulando um pouco/bocado esse conceito/ponto e penso que sim que era {foodie}. Mas um {foodie} mais de rua. Eu tenho trabalhado muito por América latina, e sou de animar-me a comer coisas na rua. Às vezes me levei alguma indigestão, mas já tenho como um anticorpo a isso [ri].

—É outro grau/curso universitário de ‘{foodie}’.

—G. P.: Há um lugar em Mar do Prata {adonde} ia com minha família os verões, e lembrança estar esperando meia hora para entrar a comer e dizer: «Quando seja grande, não quero isso». Mas acredito/acho que sim sou {foodie}. Sou curioso para cozinhar: me invento pratos, {combino} sabores, ou sou meio perito com o que tenho na {heladera} para fazer algo rico...

—Há muitas maneiras de ser ‘{foodie}’.

—L. C. : Sim. É que às vezes nos pensamos que ser {foodie} é gastar-se 200 euros num restaurante com várias estrelas Michelin. E não é só/sozinho isso. Igual é perder-te numa cidade e comer com os locais. É manter uma relação curiosa e sara com a comida/almoço. {Foodie} é o que pode conhecer tanto/golo restaurantes de luxo como bares de rua. E diferentes tipos de cozinha e de formas de cozinhar. E que o partilha. Porque se te o {quedas} para {tí} não há tanto/golo usufrua.

—A série vai disso: duas pessoas que partilham uma paixão pela comida/almoço, que vai-se convertendo noutro tipo de paixão.

—L. C.: {Foodie} {love} fala duma relação humana simples entre duas pessoas muito complicadas. É como eles tentam conetar, apesar de todas suas mochilas e suas máscaras, e tudo o que não se contam e os segredos. É como quando {conoces} a alguém pela primeira vez, que {quieres} mostrar teus 10 minutos perfeitos, mas logo, quando começam a raspar, começamos a ensinar quem somos, e nos sentimos vulneráveis ou temos medo ou não queremos. E tudo isto acontece sempre enquanto estamos comendo. A relação com a comida/almoço é física e emocional. Porque quando não {comes}, {estás} de mau leite e quando {comes} {estás} feliz . Nessa altura se misturam todas essas sensações.

—G. P.: Para mim a comida/almoço está ligada a como me sinto. Tem a ver com os estados de ânimo.

—¿Lhe disse que viu em você para irlo a procurar a Argentina?

—G. P. : Quando {estrenamos} o filme Ninguém nos mira em {Tribeca}, e {gané} o prémio ao melhor ator, Isabel me disse que tinha que ter agente e me apresentou ao seu. Em Dezembro, me mandou três guiões que estavam um pouco/bocado em processo. Lhe {pregunté}: «Agora, ¿que temos de fazer?». E me disse: «Se te apetece, já está». Eu também me {pregunté} porque é que me escolheu assim. Depois, me dei conta de que foi seu instinto. De que aos dois nunca nos tinha visto juntos e que, de facto, funcionou. Fizemos um grande trio os três trabalhando..

—¿E ensaiaram uma semana?

—L. C.: Bom, ensaio... Comer.

—G. P.: Básicamente era comer. {Intentamos} ler um pouco/bocado ao início, mas logo nos {dedicamos} a comer.

—E também a conhecer-se entre vocês, porque chegariam a um importante grau/curso universitário de intimidade.

—G. P.: Embora a intimidade tens que jogar-la. Porque por mais que te {conozcas}, é outra coisa.

L. C.: Eu acredito/acho que nós também nos surpreendemos mutuamente no set de ver que {trabajábamos} muito bem juntos.

—Nos filmes e as séries, já estamos acostumados a que duas pessoas se conheçam e na seguinte cena se retirem a roupa apressados. Aqui a relação se cozinha muito a fogo lento...

—L. C. : Te dizem: «Têm muita química, os personagens têm muita química», mas é uma química desde/a partir de o desencontro, desde/a partir de o desacordo constante. Não é essa química de dois personagens que se gostam e que {ves} que vão a cair imediatamente. Que é como que se travam pelo que seja, mas que querem. Não, estes parece que eles mesmos se convencem de: ¿quem é este tipo? ¿quem é esta {tipa}? Constantemente se estão desacreditando o um ao outro, mas, {racionalmente}, até ao {tuétano}. E desde/a partir de esse desacordo se trabalha a química, que é mais interessante, que tem a ver que são dois personagens muito complicados e muito cerebrais.

—Nas séries não se costuma comer.

—L. C.: Nós comíamos e o fazíamos verdadeiramente. É como na vida real: tu, quando {comes} com alguém, {comes} e {hablas}, e não {piensas} se vais a poder/conseguir comer e falar ao mesmo tempo. O fazes. E se te {enfadas}, igual {dejas} de comer, mas não {piensas}: como agora e me zanga e deixo de comer. O fazes de forma natural, e isso é o que fazíamos nós.

—Parece que se estejam inventando o que dizem, quando seu texto já lhes chega perfeitamente construído. ¿Como conseguem essa natureza?

—L. C.: Isabel quer esse tipo de interpretação. Se tu lhe fazes uma coisa mais colocada, acredito/acho que te vai a dizer que não. Além disso, nos viu noutros trabalhos. A Guillermo lhe viu em Ninguém nos mira e a mim em filmes e, somos atores que {aportamos} esse tipo de interpretação. Por isso acredito/acho que quando tu, Guillermo, {dices} o do instinto, imagino que por isso ela nos escolheu também desde/a partir de um início.

—Como a Coixet, ¿gostariam de que tivesse uma segunda época?

—L. C.: Adoraríamos. Nós já lhe dávamos a Isabel um monte de ideias de lugares e países {adonde} poderíamos ir a comer.

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