Menú

El Periódico Extremadura | Domingo, 23 de septembro de 2018

‘A peste’, uma viagem à {Sevilla} do século XVI

3 {Movistar+} estreia em grande o novo trabalho do cineasta Alberto Rodríguez

OLGA PEREDA
12/01/2018

 

Não há nada na ficção espanhola que se lhe pareça. É uma série histórica, mas não é {Hispania}. Nem Isabel. Nem Águia Vermelha. A peste, que {Movistar+} estreia hoje, é outra liga, palavras maiores/ancianidade. É o ambicioso retrato da {Sevilla} do século XVI. Leva a assinatura do cineasta Alberto Rodríguez (A ilha mínima), que tem gozado de «absoluta liberdade e zero pressão» para criar um {thriller} que tem costado 10 milhões e que supõe um antes e um depois na história recente da televisão em Espanha. Antes de filmar, uma equipa de documentalistas esteve dois anos investigando como era nessa altura {Sevilla}, a urbe mais importante de Ocidente.

A peste está protagonizada por um desconhecido na indústria do qual {oiremos} falar muito a partir de agora: Pablo Molinero, que dá vida a um homem perseguido pela {Inquisición} por imprimir livros proibidos. Uma vez preso, lhe prometem a liberdade em troca de que resolva uma série de crimes com corantes diabólicos que estão assolando {Sevilla}, cidade rica mas caótica, {mugrienta} e dizimada pela peste negra. Para empreender a tarefa, irá a um velho amigo (Paco León), com passado duvidoso mas que tem ascendido socialmente não se sabe como e que vive num palácio.

A peste –que consta de seis capítulos de 50 minutos– põe o olho na luta de classes. Seus personagens são complexos e o guião goza de tensão e intriga. Aqui não há diálogos {impostados}, nem personagens de papelão, nem meninos repelentes. Há meninos, mas são reais. Meninos do século XVI e de vida miséria. Há cenas iluminações com uma vela (algo inimaginável nas séries espanholas, nas que normalmente há tanta luz como num sala de operações) e tantos detalhes que {abruman}, como os {palillos} que se usavam na época para {hurgarse} os dentes ou os alimentos e bebidas na moda.

{Sevilla} era a cidade mais importante de Ocidente, a porta de América graças a um Guadalquivir inundado de barcos, um vibrante centro de negócios, mas a pobreza {campaba} a seus {anchas}. O 10% da população era negra, existia a escravidão (se vendiam homens e mulheres na catedral) e tinha bairros inteiros que eram um prostíbulo.

Vendo o {empaque} dos capítulos (os dois primeiros se apresentaram em grande no último festival de San Sebastián) parece mentira que A peste nascesse duma conversa de canas. As que se estavam tomando um dia Alberto Rodríguez e seu guionista habitual, Rafael Cobos, ambos sevilhanos. «{Mirábamos} a rua e pensamos em como seria {Sevilla} no século XVI. A série nasceu dessa conversa», explica o cineasta, em cujo currículo (O homem da mil caras, Grupo 7) está a direção dalguns capítulos de {Hispania}. «Movistar nos tem animado a ser transgressores e a não ir por a senda tradicional. Nós temos ido provando coisas, a ver que passava. Não temos tido nenhum problema ao escrever o guião nem no rodagem nem no montagem», sublinha.

Em San Sebastián, onde A peste se programou na secção oficial, o público pôde ver os dois primeiros capítulos em ecrã grande. Puro cinema.

As notícias mais...