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El Periódico Extremadura | Terça-Feira, 26 de septembro de 2017

Trabalhadores, uma espécie ameaçada

TEXTO: NURIA NAVARO ILUSTRACIONES: FRANCINA COSTÉS
26/03/2017

 

Neste instante, o computador chinês A Luz da Divindade {Taihu} realiza 93.000 {billones} de operações por segundo. ¿Imaginam a um {bróker} medindo's com ele? Seria como competir com {Usain} {Bolt} {calzando} uns {stilettos}. E às portas chama uma nova onda de inteligência artificial não só/sozinho mais veloz, mas «mais lista que o humano mais pronto/inteligente/esperto», segundo o visionário {Elon} {Musk}, co-fundador de {Tesla} {Motors}. «Quando {perdamos} nossa importância funcional na rede, {descubriremos} que, depois de tudo, não somos a cúspide da criação», aprofunda na ferida o historiador {Yuval} {Noah} {Harari} em {Homo} {Deus}. «Nos {sumiremos} no esqueço, como os {mamuts}».

Até que não chegue a humilhação como espécie, os economistas põem sobre/em relação a a mesa um dado do impacto da {robotización} no emprego: de aqui ao 2030, 5 milhões de ofícios se destruirão nos 15 países mais industrializados por culpa de ser tão pouca coisa. ¿Temos de dar-lhe crédito ou pensar que {Keynes} já vaticinou o fim do trabalho em 1931? Por enquanto, dois visões {echan} um pulso: 1/ Não. Os trabalhadores deslocados na quarta revolução industrial encontrarão nova colocação, como aconteceu na segunda; e 2/ Sim. A tecnologia nos conduzirá a passo ligeiro a um progressivo apocalipse social e político.

OS EXPULSADOS

A versão apocalíptica tem seu {sostén} num muito citado –e discutido– estudo assinado por {Carl} {Benedikt} {Frey} e Michael Osborne. A casal/par de economistas de Oxford Martin analisou 70 profissões (e seus ramais, até chegar a 702) e concluiu que o 47% dos empregos atuais em EUA desaparecerão. Esse dado foi recolhido e referendado pelo alemão {Klaus} {Schwab}, fundador do Fórum Económico Mundial e autor de A quarta revolução industrial –prefaciado, olho, por Ana Patricia Botín–, quem aventura que «crescerão os postos de trabalho cognitivos e criativos de altos rendimentos e as ocupações manuais de baixos rendimentos» (altamente instáveis). E as «elites cognitivas –acrescenta {Tyler} {Cowen}, da George Mason University de Virginia – não só/sozinho controlarão o conhecimento e o capital, mas também a intermediação entre humanos e máquinas».

¿Está você na faixa do meio? ¿É teleoperador, taxista, assessor imobiliário, agente de seguros, radiologista, bibliotecário…? Pois, segundo {Schwab}, o tem crude. A {robotización} chama a as suas portas para comunicar o despejo. E o resto, que também não se confie no imaginativo e sensitivo de seu emprego: {Schwab} diz que um algoritmo é capaz de criar narrativas (o {New} {York} Times tem demonstrado a impossibilidade de distinguir entre uma peça escrita por um humano da de um robô). «As tecnologias {disruptivas} estendem a aumentar a produtividade mediante a substituição dos trabalhadores, em lugar de criar novos produtos que necessitem mão de obra», afirma {Schwab}. «A questão é como de rápido se fará».

A este lado do Atlántico a coisa não melhoria. Daniel Raventós, titular do departamento de Teoria Sociológica da Faculdade de Economia e Empresa da {UB} e fundador da Rede Rendimento Mínimo, explica que «as conclusões para Europa falam da destruição de mais do 50%». «Só/sozinho algum economista da escola austríaca e os neoliberais em geral sustentam que isso sempre passou, e que os trabalhos substituídos ficarão compensados pelos que se criarão». Calcula Raventós que, se segue/continua a tendência atual, «terá um 0,0001% da população muito rica e completamente {bunkerizada}, e o resto viverá mal».

MUDANÇA Aos EMPURRÕES

Menos catastrofista mostra-se José García Montalvo, professor de Economia da {UPF} e um dos poucos que predisse a chegada da crise em voz alta. No seu entender, {Frey} e Osborne manejam «uma {agregación} um pouco/bocado grosseira», e sustenta que «os últimos números que se manejam falam duma destruição de 25%». Sim coincide com os ingleses em que os mais afetados pela automatização serão os que hoje ocupam as faixas médias («os que pagam impostos»). Na sua opinião, na economia digital, as pessoas com pouca qualificação se poderia recolocar noutros sectores, «como a atenção à infância e à terceira idade», mas ofícios «como caixas/caixas automáticas de banco, assessores financeiros e {traders}» serão varridos porque «os algoritmos decidirão e fá-lo-ão muito bem». García Montalvo prognostica que «será um processo exponencial, mas avançará aos empurrões». ¿E isso? «Pensamos que há coisas que as máquinas fazem melhor e depois resulta que não tanto/golo –assinala–. Os algoritmos para o cálculo do {mortgage} {backed} {security} [ativo que acumula obrigações de dívida ligadas a hipotecas] têm saído todos mau, igual que os {sofisticadísimos} modelos para calcular o {rating} [nota creditícia] das empresas». O economista prevê que no futuro «o trabalho será complementar, não substitutivo».

CIBEROTIMISTAS

No clube dos otimistas estão {Melanie} {Arntz}, {Terry} Gregory e {Ulrich} {Zierahn}, autores do estudo encarregado para a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE). Prestando atenção à heterogeneidade das tarefas dos trabalhadores em seus postos, o trio afirma que nos países da OCDE só/sozinho «o 9% dos empregos são suscetíveis de automatização» (em Áustria, Alemanha e Espanha, por este ordem/disposição, será de 12%) e que, em todo o caso, «as máquinas assumirão muitos dos trabalhos sujos, perigosos, aborrecidos ou repetitivos».

O estudo da OCDE também põe em causa as cifras de {Frey} e Osborne porque, acham, «a proporção de postos de trabalho em risco não deve equiparar-se às perdas de emprego reais». Por três motivos: 1/ a utilização das novas tecnologias é um processo lento, devido aos obstáculos económicos, jurídicos e sociais. 2/ Os trabalhadores podem adaptar-se às dotações tecnológicas mudando de tarefas. 3/ A mudança tecnológico gera empregos adicionais.

Vocês se perguntarão –e farão bem– ¿como explicar o desajuste entre o 9% e o 50%? Primeiro, porque os dados não são neutros. Segundo, porque o galope digital coincidiu com os espasmos da crise, e essa horrorosa convergência move o pulso de qualquer que tire a foto. E terceiro, segundo {Erik} {Brynjolfsson} e Andrew McAfee, economistas do {Massachusetts} {Institute} {of} {Technology} ({MIT}), porque «os avanços digitais estão transformando o poder/conseguir mental duma maneira similar à forma em que a máquina de vapor». Só/sozinho que enquanto o {huso} do têxtil tardou 120 anos em difundir-se fora de Europa, em menos de 20 anos o {taiwanés} {Foxconn}, primeiro fabricante de telemóveis do balão, tem substituído já a 60.000 empregados por robôs.

NO TELHADO POLÍTICO

Na segunda década deste século, avançam {Brynjolfsson} e McAfee, «{comenzaremos} a ver os efeitos económicos e políticos dessa transformação», e a bola estará no telhado da Administração, que deve regular/orientar a corrida/curso «com, e não com-

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