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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 20 de novembro de 2017

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POR JAVIER TRIANA
26/03/2017

 

As últimas semanas do sítio a {Alepo}, antes da evacuação, foram as dos bombardeamentos mais fortes que tenho visto em minha vida. Faz só/sozinho umas poucas semanas que vi pela primeira vez os vídeos do assedio e pensei: ‘¿Eu estava aí dentro?’». A face de {Hamza} {Alkateab}, um dos últimos médicos em resistir e sair do {Alepo} rebelde quando as tropas sírias ganharam a batalha, é uma mistura de temor e surpresa. «Estávamos seguros de que {íbamos} a morrer ali». Sua mulher, a jornalista {Waad} {Alkateab}, dá fé: «{Oías} bombas tudo o bocado. Agora não me acredito/acho que estivéssemos ali».

No entanto, estarlo foi uma decisão meditada e consciente: «Quando ia a fechar o cerco a {Alepo}, estávamos na Turquia visitando aos meus pais (o pai de {Hamza} está doente e reside no sul do país {eurasiático}). {Waad} e eu falamos sobre/em relação a se voltar ou não. Na verdade, foi uma conversa muito curta, porque imediatamente {resolvimos} voltar. Tínhamos a nossos amigos ali e eles também têm filhos. É muito egoísta ir-te quando podes ajudar». Seu atual {inacción}, na Turquia, lhe {reconcome}, mas planeia regressar apenas conclua uns trâmites.

«¿Que lhes diremos a nossos filhos quando sejam maiores/ancianidade? –comenta {Waad}, grávida de o seu segundo rebento–. Quando lhes {contemos} o que passou em Síria, não lhes podemos dizer que nos fomos. Nos {quedamos} para seguir/continuar com a revolução».

A revolução iniciada faz seis anos é, para eles, a expressão de centenas de milhares de pessoas, de milhões de sírios, de querer derrubar um regime repressor e déspota. «Em Síria, qualquer jovem foi golpeado pela polícia pelo menos um par de vezes. A sério. Os europeus igual não o {entendéis}, mas é assim. Mesmo em situações inofensivas, como ir passeando com teu namorada pela universidade», relata {Hamza} enquanto sustenta em braços a sua filha, {Sama}. {Waad} explica que Síria é um país de relatórios policiais, onde «há um arquivo enorme a teu nome, e se te passa algo já {estás} marcado num processo». Por isso, sustenta o casal, «temos de aproveitar qualquer oportunidade de mudar as coisas». E em março de 2011, faz agora 6 anos, se apresentou a oportunidade.

Como o de {Waad}, {Hamza} {Alkateab} não é seu nome real. O escolheu como pseudónimo em lembrança de um adolescente chamado assim: uma das vítimas da repressão do presidente sírio, {Bashar} o {Asad}, a uns protestos prodemocráticos e que, à sobremesa, desembocariam numa guerra que tem afetado de um modo ou outro a grande parte da comunidade internacional e que não tem {visos} de concluir nem a médio prazo.

Eles resistiram em {Alepo} na batalha mais sangrenta da guerra até à data. Um recente relatório/informe do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre/em relação a Síria concluiu que tanto/golo Damasco como os rebeldes cometeram crimes de guerra. {Hamza} o sofreu em seu próprio {pellejo} e tratou de salvar a milhares de feridos pela guerra. A maioria das vezes, civis. Muitas vezes, com êxito e sempre em condições sanitárias péssimas. {Waad} também padeceu em primeira pessoa o assedio e a escassez derivada deste, e o documentou para a cadeia televisiva britânica {Channel} 4, por cuja cobertura recebeu vários prémios.

O 28 de abril de 2016, o hospital que {Hamza} dirigia em {Alepo}, o Ao {Quds}, apoiado por Médicos Sem Fronteiras e outras organizações, foi atacado diretamente por bombardeamentos. Não era a primeira vez. O ataque levava o selo de {Asad} ou, mais provavelmente, da aviação aliada russa. Eram as nove e média/meia da noite e o diretor já não estava no hospital. Uma enfermeira comunicou via telefónica o ataque e as perdas humanas e materiais do centro: seis companheiros mortos e oito feridos, para além de equipas inutilizadas por completo e entulhos para oferecer.

«Quando {estás} nessa situação, não te {paras} muito a pensar. O estar ocupado é o que te faz seguir/continuar adiante», indica o médico {Alkateab}. Tinha demasiados feridos, demasiadas pessoas à que atender.

Seu objetivo agora é arrecadar o dinheiro suficiente para construir um novo hospital na campina ao oeste de {Alepo}, controlada pela amálgama da oposição a {Asad}. Ali a situação não é tão limite –como nos piores momentos do cerco de {Alepo}, quando encontrar fruta ou verdura fresca era quase ciência-ficção– e há várias {oenegés} que cobrem as necessidades mais básicas dos evacuados de {Alepo} e os habitantes da região. «Agora não há bombardeamentos: só/sozinho fogo de morteiro. Agora mesmo o estamos ouvindo», assegura a este diário/jornal o antigo chefe dos capacetes brancos [voluntários organizados em tarefas de resgate] em {Alepo}, {Ammar} Ao {Selmo}, presente ali. Mas a situação é frágil na região e tudo pode mudar num momento: «Faz dois dias, a aviação [russa e síria] destruiu o hospital {Hwar}, o maior da zona, e causou muitos danos à maquinaria sanitária», acrescenta {Selmo}. «Estabilidade e manter o cessar-fogo: isso é o que necessitamos», diz.

Rede de hospitais

{Hamza} sabe que se necessita uma rede mais larga de hospitais na zona, porque os que há não dão {abasto}. «A maioria da pessoas que saiu de {Alepo} durante a evacuação se tem estabelecido ali», conta o médico. Sua ideia é montar um hospital centrado em obstetrícia e pediatria, mas que também conte com unidades de radiologia, nefrologia, cardiologia, entre outros e, naturalmente, urgências e {UCI}. Num princípio, quereria começar com meio centena de empregados, que poderiam alargar-se até 80 ou 90, de encontrar o financiamento adequada, um dos principais obstáculos. «As máquinas são muito caras, até 180.000 euros, e estamos contactando com {oenegés} à procura de financiamento. E os custos de funcionamento são de entre 6.500 e 9.500 euros por mês para alimentos, combustível para os geradores de eletricidade». À parte, os ordenados dos empregados. A organização alemã {Deustch}-{Syrischer} {Verein} financia uma parte do projeto, mas, para um destas dimensões, {Hamza} assinala que qualquer contribuição será boas-vindas/bem-vinda.

A filha de {Waad} e {Hamza}, a pequena {Sama}, de ano e meio, vai passando pelo regaço de todos os presentes. O que mais usufrui é esvaziar os {azucareros} da cafetaria {estambulí} na qual tem lugar a conversa. Quando a pobre já não aguenta mais, a sua mãe reproduz no telemóvel uns desenhos animados que a hipnotizam ao instante. «É curioso, ¿{sabes}?», diz {Waad}, assinalando uma reação {alérgica} no {moflete} esquerdo da menina. «Quando estávamos em {Alepo}, nunca teve nem um só/sozinho problema».

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