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El Periódico Extremadura | Domingo, 8 de dezembro de 2019

A penúltima ocasião para salvar o clima

Nações Unidas espera que as grandes economias dêem «sinais» de acordo/compromisso . A cimeira de Madrid está concebida para forçar a Estados Unidos, China e Rússia a atuar

MANUEL VILASERÓ
02/12/2019

 

A primeira aparecimento pública de {Greta} {Thunberg} se produziu há um ano com um discurso que passou despercebido para muitos na Cimeira do Clima de {Katowice} (Polonia). Doze meses depois, às portas da cimeira de Madrid, o mundo está pendente da viagem em {catamarán} com o que a adolescência sueca tenta cruzar o Atlántico sem contribuir às emissões dos voos comerciais. {Greta} tem acentuado sua indignação neste {lapso} de tempo e o mundo também. Sua dura mensagem tem pegado com mobilizações em ruas de tudo o planeta.

A ideia de que se nos acaba o tempo de atuação para salvar o planeta tem calado na sociedade e está a ser certificada por cada vez mais relatórios científicos/cientistas e pelos primeiros efeitos {palpables} da crise climática. Entre a {COP24} e a 25, o norte e o centro de Europa têm sofrido umas elevadas temperaturas de recorde, a Amazónia e {Siberia} têm ardido como nunca e as inundações se têm cevado no litoral mediterrâneo.

SE RENDEM / ¿Que fazem enquanto os governos dos países? «Render-se», disse na sexta-feira em Madrid Fatih Birol. Não é um qualquer. É o diretor da Agência Internacional da Energia (AIE). Começar a mudar esta indiferença pela ação é a principal tarefa que se têm marcado os líderes da cimeira da capital espanhola.

A Organização de Nações Unidas, Chile, que preside as sessões e Espanha, que organiza a cita/marcação/encontro, pressionarão às grandes economias para que façam realidade seus compromissos atuais de redução de emissões e comecem a marcar-se objetivos/metas mais ambiciosas para o ano 2030 que permitam cumprir com o Acordo de Paris de 2015.

Na capital francesa se acordou limitar o aumento de temperatura a «menos de 2ºC» e, na medida do possível, a um 1,5ºC relativamente a a época pré-industrial. Agora vamos já pelo 1,1ºC e subindo. Um dos pontos fracos do pacto é seu carácter voluntário. Cada país fixa seu nível de redução de emissões. A soma de todas deve dar por resultado o cumprimento dos objetivos. Mas o último relatório/informe sobre/em relação a a brecha de emissões tem posto em evidencia que o que há sobre/em relação a a mesa fica cada vez mais curto.

No 2015, todos países entregaram sua folha rota e até ao ano próximo não estão obrigados a atualizar-la. O prazo acaba na cimeira que terá lugar em Glasgow, mas a ONU está consciente de que se em Madrid não se {enfila} o rumo adequado, a capital escocesa pode ser o cenário de outro fiasco.

O secretário-geral de Nações Unidas, Antonio Guterres, mostrou-se ontem esperançado em que os grandes dêem «sinais de que vão a comprometer». Sinais que, segundo o mandatário, poderiam consistir em compromissos parciais: «Pôr data ao fim às centrais de carvão, liquidar/saldar os subsídios aos combustíveis fósseis ou dar um preço ao carbono, passos concretos que indiquem que em Glasgow comprometer-se-ão pela neutralidade climática no 2050».

AS IMPEDIMENTOS / Não será fácil. O início da retirada de Estados Unidos do Acordo de Paris tem {ralentizado} as decisões. Outros esperam a comprovar se não há substituição na Casa Branca, antes de que a retirada se faça efetiva em Novembro do ano próximo. O caso mais grave é do China, o primeiro emissário. Depois de/após uns anos impulsionando as renováveis e a eletrificação do automóvel se tem lançado a construir centrais de carvão como se não tivesse um amanhã. Outros casos mergulhados na indefinição são a Índia, Rússia e Japão, enquanto o Brasil de {Bolsonaro} e Austrália se têm unido à frente {negacionista}.

Também não ajuda que apenas vão à cimeira dirigentes políticos de primeira fila. A figura mais relevante/preponderante será a presidenta do Congresso estado-unidense, Nancy Pelosi. O improvisada mudança de sede forçado pela crise social de Chile brinda a Europa a possibilidade de reforçar sua liderança climática.

No passado a UE fez seus deveres. Chegará ao 2020 com uma redução de emissões de 23% relativamente a 1990, três pontos mais do comprometido. Seu objetivo para 2030 é alcançar o 40%, mas poderia oferecer alargá-lo até ao 55% se outros países elevam sua ambição.

Após a declaração de «emergência climática» pelo Europarlamento, o Conselho Europeu poderia aprovar no fim da cimeira (dia 13) o objetivo de alcançar a neutralidade climática no 2050. A presidenta da Comissão, {Ursula} {Von} {der} {Leyen}, apresentará em Bruxelas seu Acordo Verde ({New} {Green} {Deal}) o dia 11, o mesmo que na cimeira celebrar-se-á um superquarta-feira’.

‘SUPERQUARTA-FEIRA’ / Os integrantes da Aliança pela Ambição Climática, nascida em setembro em Nueva York com 67 estados, entre eles Espanha, apresentarão nessa jornada novas adesões a países, empresas e regiões que comprometer-se-ão a aumentar sua ambição nos planos que apresentem o próximo ano e em alcançar as emissões netas zero no 2050.

Serão gestos para empurrar às grandes economias. Como a mobilização da rua. Uma grande manifestação percorrerá o centro de Madrid esta sexta-feira, se calhar com {Greta} à cabeça. Terá ver até que ponto fazem {mella} nos gigantes da poluição.

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