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El Periódico Extremadura | Domingo, 8 de dezembro de 2019

{Nerja} protege ao fim sua prezada arte rupestre

A concentração de público prejudicava às pinturas e às {estalagtitas} e {estalagmitas} . O festival de música {quese} celebrava dentro da gruta se deslocará a zonas exteriores

JULIA CAMACHO
13/08/2019

 

O plano poderia parecer do mais exótico, ou uma loucura, segundo a sensibilidade de cada qual: descer às profundidades da Terra para escapar do caloroso verão malaguenho com um espetáculo ao vivo no interior duma gruta {plagada} de {estalactitas} e {estalagmitas} de formas caprichosas. Essa era a essência do Festival da Gruta de {Nerja}, celebrado num das jazidas arqueológicos mais importantes de Europa ({plagado} de amostras de arte rupestre) e que encontrou na música um potente imã turístico para a zona mais oriental da província. Mas os conservadores levavam tempo alertando do dano que o trasfega para o montagem dos espetáculos e a aglomeração de público supunham para a gruta, pelo que o patronato que a dirige –conformado pelas administrações locais, regionais e central– decidiu que os de 2019 sejam os últimos concertos que celebrem-se em seu interior. A música e a dança, isso sim, continuarão embora nos jardins exteriores.

Os concertos no interior da gruta de {Nerja} se desenvolviam numa das galerias mais emblemáticas da gruta e a primeira em ser descoberta: a Sala de la Cascada, cujas formações faseadas de pedra ({gours}) recordam um salto de água. O espaço está presidido além disso por uma impressionante coluna, conhecida como a bota por sua característica forma de calçado, e surpreendentes {espeleotemas} (as {estalactitas} e {estalagmitas}). Para comemorar o descobrimento dum das jazidas arqueológicos mais importantes do mundo, e de passagem atrair ao turismo que já punha seus olhos na Costa do Sol, um ano depois de/após seu achado em 1959 se organizou a que foi primeira representação de {ballet} clássico numa gruta.

Desde então, e fruto da política cultural da época para promover as amostras artísticas, o festival de música e dança foi ganhando em importância. Entre seus {estalagmitas} passearam desde Josep Carreras até {Montserrat} {Caballé} e {Ainhoa} {Arteta}, bailaores como Joaquín Cortés e Antonio Canales, para além de numerosas orquestras e {ballet}, consolidando o certame como uma das encontros culturais do verão andaluz. Umas atuações que supunham o sobe e baixa de andaimes, estruturas metálicas e operários peritos no montagem, mas inexperientes no cuidado de amostras arqueológicas.

«Lhes faltava precaução, e ao meter e tirar os materiais, se produziam {raspones} nas paredes da gruta», explica o conservador do recinto, Luis Efrén. A isso se acrescenta que o bancada metálica fixa instalado faz cinco décadas estava {herrumbroso}, e com a humidade do 95% que regista o interior da gruta, se criava um cocktail fatal para o cultivo de fungos. Também não ajudava a concentração de até 500 pessoas ao mesmo tempo durante dois ou três de horas na mesma sala. «O dióxido de carbono da respiração se mistura com a água de {goteo} e as filtrações da gruta e se converte em água azeda que {corroe} os {espeleotemas} e afeta ao arte rupestre e sua recuperação», assinala o conservador. Também à fauna e microorganismos endémicos que habitam a gruta. É que, embora a gruta tem seus próprios mecanismos de ventilação que permite que seja visitável, e a esse ritmo se adequam as visitas guiadas ao recinto, não está preparada para esses picos concentrados no tempo.

GRUTA URBANIZADA / «São danos acumulativos, embora a gruta vai-se recuperando», matiza/precisa Efrén, sublinhando o «enorme trabalho de preservação e conservação antes, durante e después do festival». Por este motivo, o Conselho Científico/cientista Assessor da gruta, entre os que há biólogos, arqueólogos e {geólogos}, recomendou faz tempo suprimir os espetáculos do interior, diminuindo além disso os acessos em época alta. Na última década, se mudou o bancada {corroído}, «o primeiro conquista», e foram tirando alguns dos recitais aos jardins exteriores da gruta e inclusivamente outros espaços de {Nerja}.

O gerente da gruta de {Nerja}, {Chema} Domínguez, reconhece que à maior consciencializa atual de proteção do ambiente se somou a perspectiva económica, já que se entendeu a mudança de localização como uma forma de revitalizar o festival, abrindolo a outros públicos mais {generalistas}. Neste ano têm rondado as 11.500 entradas vendidas para onze atuações, cifras que eram inviáveis de assumir dentro da gruta.

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