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El Periódico Extremadura | Domingo, 26 de janeiro de 2020

A crise climática era isto

Chuvas torrenciais e ondas de calor se produzem com mais frequência e intensidade que nunca. Aquecimento global e emissões estão após o auge de fenómenos {metereológicos} extremos

VALENTINA RAFFIO
08/12/2019

 

La era dos extremos climáticos já está aqui. Nos últimos 20 anos, mais de 12.000 fenómenos meteorológicos extremos deixaram seu rasto em praticamente todos os cantos do planeta. Chuvas torrenciais, furacões, inundações, ondas de calor e secas se têm recebido a vida de 495.000 pessoas e deixaram a seu passo umas perdas de 3,54 {billones} de dólares, segundo os dados do Índice de Risco Climático Global de {Germanwatch}. ¿Mas é a crise climática responsável destes fenómenos? La resposta é mais complicada do que, a priori, poderia parecer. Cientificamente não seria correto atribuir um evento meteorológico concreto, como o caso duma tempestade ou uma gota fria, ao estado de emergência climática. Mas, à falta de estatísticas de longo prazo que confirmem esta relação, os peritos recordam que a crise climática está relacionada com o aumento da frequência e a intensidade deste tipo de acontecimentos. Esta é a cara mais visível duma era dos extremos climáticos que nos últimos anos deixou inumeráveis danos tanto/golo humanos como materiais em todo o planeta.

Os últimos episódios de gota fria que têm afetado à península Ibérica este último ano. La chuva torrencial que provocou a crescida do rio {Francolí}, em {Tarragona}. As inundações de {Sant} {Llorenç}, em Maiorca. Os intensos aguaceiros vividos este outono, os mais abundantes dos que se tem constância no último meio século. La vaga de calor que este verão tem afogado uma península Ibérica já em risco de desertificação. Todos eles encenam estes extremos. Mas, mesmo assim, nenhum destes fenómenos pode atribuir-se diretamente à alteração do clima causada pela ação humana. «Os modelos que {utilizamos} para estudar o clima mostram que num cenário de alterações climáticas estaremos mais expostos a este tipo de fenómenos. Não podemos fazer extrapolações diretas, mas sim confiar nestes {patrones}», argumenta José Manuel Gutiérrez, investigador do CSIC no Instituto/liceu de Física de Cantabria.

ESTUDOS EM CURSO / Gutiérrez explica que este tipo de estudos de atribuição começaram faz relativamente pouco/bocado e ainda fazem falta mais investigações para falar de maneira mais contundente. Uma coisa são os fenómenos meteorológicos concretos (trovoadas, tornados, furacões, geladas, granizos ou neve, por exemplo) e outra muito diferente o clima (os valores média recolhidos durante longos/compridos períodos de tempo). «Por agora se têm estudado alguns eventos a nível individual. Necessitamos mais tempo e dados para extrair conclusões mais robustas a nível global», comenta o perito em meteorologia do Instituto/liceu de Física de Cantabria, quem prognostica que os dados mais concludentes chegarão até o 2021 com o próximo relatório/informe do {IPCC}.

À falta de confirmação oficial, a relação entre a crise climática e os fenómenos meteorológicos extremos teria uma explicação física mais que evidente. Rubén {Sousse}, físico dedicado ao estudo da atmosfera na Universidade de Bremen (Alemanha), aponta a que a demonstração não é outra que o ciclo da água. La emissão de gases poluidores gera o já conhecido efeito de estufa, responsável do aquecimento global. Isto, por sua vez, provoca que os oceanos reajam à subida das temperaturas com uma maior/velho evaporação de água. E este processo é o que, a {grosso} modo, estaria alimentando uns fenómenos atmosféricos cada vez mais frequentes e extremos. E não é que chova mais ou menos que antes, mas os níveis de precipitações que antigamente caíam repartidas ao longo/comprido de um ano inteiro se concentram agora nuns poucos episódios. «É como se estivéssemos {echándole} mais lenha ao fogo», comenta {Sousse}.

«Os eventos meteorológicos extremos são aqueles que deixam efeitos extremos na sociedade», recorda Gutiérrez, perito em meteorologia e dados. É que, embora muitos relacionem a crise climática só/sozinho com o desolado rasto dos furacões, o Mediterrâneo será uma das zonas mais afetadas pela crise climática. «Tudo aponta a que nesta zona as temperaturas seguirão/continuarão subindo e que, portanto, as secas se incrementarão. Isto terá efeitos nos recursos naturais do território, nas atividades que dependem da natureza e na população», destaca o investigador.

IMPACTO SOCIAL / Inundações, trovoadas e secas estão pondo em risco a segurança alimentar dos territórios mais vulneráveis do planeta. Trinta e cinco milhões de pessoas encontram-se em risco de fome pela crise climática, das que 17 milhões são meninos. La Organização Meteorológica Mundial ({OMM}) calcula que, entre Janeiro e Junho de 2019, mais de 10 milhões de pessoas tiveram que abandonar seus lares como consequência dos danos da crise climática.

Se a situação segue/continua como até agora, o número de refugiados climáticos poderiam triplicar-se. E esta é só/sozinho a ponta do {iceberg} duma crise ambiental extrema que já afeta a praticamente todos os cantos do planeta.

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