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«Atuem contra a pobreza ou terá protestos como em Chile»

 

«Atuem contra a pobreza ou terá protestos como em Chile» - DAVID CASTRO

ELISENDA COLELL epextremadura@elperiodico.com BARCELONA
16/02/2020

Philp Alston (1950, Austrália) é {relator} de pobreza extrema e direitos humanos das Nações Unidas, e professor de Direito da Universidade de Nueva York. Durante duas semanas, visitou Espanha, onde disse ter visto bairros «em piores condições que campos de refugiados». Este viagem é o último que faz no cargo.

--¿Porque é que escolheu Espanha?

--Vendo estatísticas europeias, Espanha foi o país que mais me chamou a atenção. É um dos que tem os problemas mais sérios, e ao mesmo tempo está entre as economias mais fortes. É um país muito importante, com muita influencia em América latina e na Europa. As políticas que se adotam aqui marcam as que fazem outros países.

--No seu relatório insiste em que os políticos espanhóis têm governado para os ricos e esqueceram-se do resto da população. ¿Quem é o culpado?

--O mais grave é que não há um único jogo/partido responsável disto. Todos os governos dos últimos 15 anos têm aplicado políticas neoliberais. Têm ajudado a que as classes mais altas incrementem suas riquezas, e não fizeram absolutamente nada para aqueles mais empobrecidos, que aumentaram. Não falamos de um único mandato. Nos poderíamos remontar às primeiras privatizações da era Aznar.

--¿E que políticas são as que o causaram?

--Têm descido impostos para as rendimentos mais altos e as grandes corporações para que tenham mais benefícios. Não têm atacado a evasão fiscal de forma agressiva. E por outro lado, ninguém enfrentou o problema da habitação, não têm gastado nada em apartamentos sociais, não melhoraram o financiamento para as escolas, e também não as prestações sociais.

--¿Espanha está na lista de países mais neoliberais do mundo e não o sabiamos?

--Não se tem ido tão longe como Chile ou o Reino Unido na era de Margaret Thatcher, mas levam mais duma década seguindo/continuando esta direção. Isto é precisamente o que queria dizer quando escrevi que Espanha se deve olhar de perto no espelho. Os espanhóis acreditam que seu país é muito igualitário… mas esta imagem pertence já ao passado, as pessoas não está consciente de o que está passando. E o novo Governo de coalizão deveria mudar este rumo de forma urgentíssima.

--Dá a sensação de que tem muitas esperanças com o Governo de coalizão…

--Acredito/acho que é bom o facto/feito de que falem de pobreza, a Espanha esvaziada, os despejos... Espero que tenham o apoio do resto de partidos para reverter esta situação. Parece difícil, mas gostaria que os mais vulneráveis tomem relevância e os políticos se vejam obrigados a abordar suas problemas.

--No seu relatório descreve extensamente a pobreza infantil e a segregação escolaridade como reptos/objetivos a enfrentar ¿É um tema que lhe preocupa?

--Um de cada três meninos espanhóis é pobre. Os governantes devem aplicar sérios programas para solucionarlo, não vai-se a resolver só/sozinho. A pobreza é hereditária, estes meninos vão a colégios de menos qualidade, deixam antes os estudos… não acedem ao elevador social. E se não se enfrenta, nessa altura sim que vai sair muito caro.

--¿Que nos proporcionará o futuro?

--Recomendo aos políticos espanhóis que tomem nota das protestos das coletes amarelos em França e das de Santiago de Chile… Ou se atua contra a pobreza ou terá protestos como ali. Chegará um ponto em que o mal-estar da pessoas se voltará incontrolável. O da habitação é um tema muito particular em Espanha que se não se aborda nos próximos cinco anos, acabará explorando. Está passando em todo o mundo. Espanha não é diferente.

--Você propôs regular/orientar os alugueres e lamentou que «só/sozinho se ouve às imobiliárias». ¿Este país se tem governado para os {rentistas}?

--¿Que é melhor, o livre mercado ou que o governo tome o controlo? Em Espanha ninguém se fez esta pergunta. Se tem aplicado a ideologia, o neoliberalismo, especialmente com o problema da habitação. Não se têm tentado alternativas contra o parque de apartamentos vazios, com impostos, controlando o preço dos alugueres… Quando o problema tornou-se de tal magnitude que estão despejando pessoas de mais de 80 anos, que as pessoas jovem não tem onde ir a viver... É absurdo ficar nos debates antigos. Há/faz pouco o Banco de Espanha dizia que o controlo dos alugueres não funcionaria. Pois olhe, construir mais habitação social também não vai a mudar nada nos próximos cinco anos. Temos de {sofisticar} o debate, tratar que outras propostas estejam também sobre/em relação a a mesa.

--No caso da Espanha esvaziada, mas também o bairros de lata, a situação dos {romanís}... no seu relatório menciona políticos resignados.

--Nenhum político vai a enfrentar os problemas sérios se não há pressão pública. E estes três problemas que tem nomeado se têm desatendido. Temos de fazer ruído, dizer ‘aqui há um problema’ para que os políticos tenham que tomar jogo/partido e façam algo.

--¿Ninguém ouve aos pobres?

--Este é o {rol} que eu tenho vindo a jogar. Tratar com pessoas que sua voz não se costuma ouvir e dar-lhe uma dimensão internacional pode ajudar. Porque as grandes empresas, as rendimentos mais altos estão constantemente influindo na política em todos os níveis.