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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 3 de abril de 2020

Nascer para morrer

ROSA MARÍA Garzón Íñigo
01/03/2020

 

A menos que o decidamos conscientemente, bem como vinhemos… nos vamos. Cada ser chegado a este mundo nasce condenado a morrer irremediavelmente desde o primeiro momento, pois dar vida é também engendrar uma morte vindoura. E nessa altura repetimos aquilo de que não somos ninguém, nos pode passar a qualquer um ou a vida continua, quando um também morreu um pouco com eles, embora continue respirando. Se tivéssemos isto sempre presente, trataríamos de fazer-nos a vida melhor e mais fácil os uns aos outros, em lugar de ser indiferentes ou egoístas e fazer-nos tanto dano.

A alguns lhes dá um aviso, como a Iván Sánchez Calle, poeta de Plasencia (1980-2020), que expirou na quarta-feira passada, quem após um primeiro enfarte anterior ao último tentou evitá-lo com hábitos de vida mais saudáveis, mas nem com essas. A outros lhes põe uma dura prova antes do fim, como a Paco El templário (Francisco García Lucas, 1964-2020) amigo e diplomado em Heráldica, Genealogia e Nobiliária entre outras muitas coisas, quem apesar da sua sã e desportista vida, também faleceu no dia seguinte. Descansem em paz.

Não existe solução ao fim. É uma profecia que cedo ou tarde se cumprirá e não podemos fazer nada. Nascemos}para morrer, a vida é o caminho e viver o melhor possível, nosso objetivo, embora às vezes não se possa escolher e esse viver se transforme em sofrer.

Nascer, pode que sim ou pode que não, a saber, mas uma vez que estamos aqui, o que não cabe dúvida é que morreremos. Com ela não existe a discriminação, pode ser antes ou depois, voluntária ou involuntariamente, esperada ou de repente, não interessa, a morte é o único que nos iguala a todos no fim.

Após ela, o habitual é pensar nos que ficamos aqui, sem eles, obrigados a continuar porque isso é o que temos de fazer, sem nem sequer ter direito a um descanso para gerir o duelo como é necessário, um tempo para poder assimilar a nova e imposta situação de não voltar a ver-los, na qual a vida muda por completo e temos de seguir adiante sem forças ou mesmo sem querer.

A sociedade não está preparada para a morte. Perderam a sensibilidade e a espiritualidade, convertendo o acontecimento num negócio que temos de gerir depressa, para o quanto antes e nunca melhor dito, retirar-nos o morto de em cima.

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