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«A polícia não é um trabalho de homens, somos válidas»

 

«A polícia não é um trabalho de homens, somos válidas» - TONI GUDIEL

RAQUEL RODRÍGUEZ plasencia@extremadura.elperiodico.com PLASENCIA
16/02/2020

Gema Moretón Martín trabalha como policial local há 20 anos, até ao 2007 em Coria e, desde então, na chefatura de Plasência. Recebeu recentemente a Medalha ao Mérito para Mulheres Policias, que concede a União Nacional de Chefe e Diretivos de Policia Municipal (Unijepol).

-Porque é que decidiu ser policial?

-Por vocação. Na minha família não há nenhum policial, mas desde pequena soube que queria sê-lo. Gostava muito, sempre me chamou a atenção.

-¿Que supõe esta medalha?

-É uma satisfação, um orgulho, que te reconheçam o trabalho realizado.

-Um dos aspetos que lhe reconhecem é seu trabalho em segurança nas estradas. ¿Quanto tempo leva nesta área e porque é que é tão importante?

-Comecei em Coria no ano 2002 porque gostava do assunto, trabalhar com meninos, porque acho que a educação deve começar desde os pequenos. Depois, em Plasência tinha uma vaga na seção de educação nas estradas, optei e entrei no departamento. Acho que a educação nas estradas é tudo, é fundamental para ter uma boa segurança na estrada.

-¿Porque é que acredita que falta consciencialização? ¿Não somos conscientes dos perigos reais?

-Acho que se trata de hábitos mau adquiridos. As pessoas pensam que não acontece nada, que nunca lhe vai  passar nada, não pensam nas consequências. Por exemplo, os sistemas de retenção infantil se põem muitas vezes por evitar uma denúncia, mas não há uma perceção de risco real e não se vê tão importante, não é uma prioridade. Eu sempre digo que a um menino não lhe deixas meter as mãos numa tomada, pois isto é o mesmo.

-¿Como se trabalha atualmente na polícia municipal para mudar os hábitos?

-Por exemplo, temos um projeto em colaboração com o SES e nos dirigimos às matronas da região para dar palestras sobre a importância dos sistemas de retenção infantil para que o transmitam às mulheres grávidas e pais novatos porque há coisas que não sabem. Também vamos a colégios e planeamento a falar-los de diferentes temas segundo sua idade e são esponjas.

-¿O parque de trânsito não está subutilizado?

-Não. Utilizamo-lo. Somos oito pessoas no departamento de segurança nas estradas e há um policial de segunda atividade de segunda-feira a sexta-feira. Utilizamo-lo como o que é, um parque educativo, não lúdico. Se o oferecemos aos colégios e vão para palestras teóricas e a prática.

-Unijepol também reconhece seu acordo com a igualdade de género, ¿existe na Polícia Municipal?

-Em Plasência há mais de 70 policiais e temos cinco mulheres e uma em práticas, há uma diferença abismal, mas na Extremadura, de 1.500 agentes, só 103 são mulheres.

-¿A que atribui essa diferença?

-A que as mulheres não se apresentam na mesma medida que os homens, se calhar por desconhecimento da profissão ou porque pensam que é um trabalho de homens. Nas provas físicas, algo falha. Deveria ter uma discriminação positiva para reduzir os tempos para as raparigas.

-Precisamente, se criou a Associação Extremenha de Mulheres Polícias, da que é diretiva, ¿com que objetivo?

-Queremos oferecer o trabalho da mulher policial. Temos um projeto e vamos aos cursos de Ensino secundário para que o vejam também como uma saída. Em Plasência já começámos. Criámo-la porque somos muito poucas e queremos potenciar o trabalho policial feminino. As mulheres somos muito válidas e temos de eliminar estereótipos como que temos de ser forte e valentona, se podem fazer muitas coisas.

-¿Por exemplo?

-Há muitas seções, não só denunciamos nem nos dedicamos a correr e perseguir a infratores. Está a secção de família e menores, atestados. Em violência de género, por exemplo, as mulheres procuram raparigas policiais porque se sentem mais identificadas e em menores, o menino sempre nos procura, pela figura materna.

-Além disso, a policia municipal também é solidária.

-Sim. Acabamos de colaborar num projeto para entregar mochilas a meninos de Burkina Faso, Malí e Mauritania. Foi um êxito porque temos recolhido 500. A polícia mudou, está mais perto do cidadão porque somos serviço público e somos solidários.

-¿Que é o melhor de ser policial municipal?

-O melhor deste trabalho é que não é nada monótono, cada dia surge algo novo e não sabes com que te vais a encontrar, o que também é stressante. Também que está muito perto do cidadão.

-¿Como gostaria de que estivesse o corpo dentro de 20 anos?

-Com muitos mais efetivos porque nós temos ficado muito poucos e não podemos abranger tudo o que poderíamos. E com muitas mais mulheres, metade e metade seria o ideal, por isso, que as raparigas não se assustem e se animem.