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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 17 de fevereiro de 2020

Vergonha

CARLOS Ortiz Pérez
07/01/2019

 

Postos a pedir, ontem recebi de suas majestades os Reis Mágicos uma promessa para sua próxima entrega de presentes o ano que vem: um comboio novo para Extremadura. Se a direção bem pagos de {Renfe} tivessem um pouco/bocado de vergonha, teriam demitido. Se o serviço ferroviário estivesse privatizado e corresse a cargo duma empresa séria, seguro que lhes teria voado a cabeça e não teriam durado nem dois minutos em seus postos de trabalho. Não se pode fazer pior mas, já vêem, nunca passa nada quando trata-se de Extremadura.

Leituras e posições políticas à parte —todos são responsáveis duma humilhação histórica a esta comunidade que ficará registada para sempre após a noite negra de Navalmoral—, acredito/acho que chegou o momento de passar dos gestos às ações. Se Mérida vai a acolher uma reunião do Conselho de Ministros, não estaria de mais que nossos dirigentes se viessem em comboio e {comprobaran} em suas próprias carnes a péssima situação da infraestrutura. O mesmo não chegam. Sim, já fê-lo o {minstro} {Ábalos}, mas por puro {postureo}. Nada mudou. Continuamos no rabo de Espanha, longe de tudo e de todos. E o que é pior, obrigados a renunciar, pelo vergonhoso e caro serviço, a subir-nos ao comboio. Eu sou um deles. {Dimití} faz tempo, mesmo pagando meus impostos, a utilizá-lo porque entrar num carruagem tornou-se já num desporto de risco.

Não me vou a cansar de repetirlo: o comboio é um direito, não uma obrigação do Estado com uma comunidade autónoma como a nossa. Até que {aprendamos} a reclamarlo como cidadãos iguais que somos ao resto, Extremadura não levantará o voo. Senhor Vara, senhor Monago: a política serve para conseguir o que parecem impossíveis. E o comboio cada dia tem esse cheiro horrível de incompetência, {inutilidad} e resignação que mostram nossos gestores públicos, com mais palavras que factos/feitos. Nem sequer os trabalhadores de {Renfe} se manifestam perante uma situação tão insustentável como {sonrojante}. Se o ano que vem os Reis Mágicos voltam a Extremadura, peço que o façam em comboio. O mesmo assim {conseguimos} o milagre que nossos políticos, todos, não têm conseguido em tantos anos de trabalho perdido. E de mecânicos nos comboios nem falamos. Soa a troça.

*Jornalista.

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