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El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 20 de septembro de 2017

A urna de vidro

ANTONIO Galván González
02/09/2017

 

É curioso como, nuns anos, nos temos convertido nuns autênticos exibicionistas. Até não faz demasiado tempo, o comum dos seres humanos, éramos muito cuidadosos na hora de expor nossa vida privada perante o público. Mas, duns anos para cá, ninguém escapa à tentação de publicitar algo (mais ou menos sumarento) sobre/em relação a o que diz respeito ao âmbito de sua privacidade. Nas redes se vê de tudo. Há pessoas que acostuma a difundir onde está e que está a fazer. Outros, partilham fotografias dos pratos que estão degustando. Os temos de usufruem expondo imagens nas que se lhes pode ver em companhia de seus seres caros. E também há cidadãos que optam por difundir suas opiniões e pensamentos, sobre/em relação a os temas mais diversos, ou notícias e opiniões. Existem, igualmente, abundantes exemplos de pessoas que se fotografam a sim mesmas, ou que são fotografadas por outras, adotando diferentes poses.

Não escasseiam também não os amantes dos desportos mais diversos, que mostram desde suas sapatilhas até os percursos/percorridos que realizam, ou as calorias que queimam. Quem mais e quem menos revela que programas, séries e filmes vê, quais são seus artistas preferidos, e até que canções está reproduzindo em os seus dispositivos telemóveis. As animais de estimação domésticas também se fazem vazio nas redes através da publicação de fotografias e vídeos. E, deste modo, entre umas coisas e outras, estamos, sem dar-nos conta, publicando nossa vida em plataformas que se nutrem da informação pessoal que lhes {cedemos} gratuitamente. Não nos forçam a isso.

Não nos enganam. As plataformas oferecem o meio para difundir tudo o que queiramos, e somos nós os que {decidimos} retransmissão uma importante parte da nossa existência, ao vivo e ao vivo. Temos entrado todos (ou quase todos) numa dinâmica {borreguil}, que reproduz experiências parecidas às do famoso {reality}, Grande Irmão, com reminiscências da romance homónimo de George Orwell, ou de filmes como O {Show} de {Truman}. Temos adquirido, em última instância, uma urna de vidro, na qual nos {introducimos} voluntariamente, para projetar, a um auditório de infinitas almas, o que fomos, o que somos, ou o que nos gostaria ser. E o pior de tudo não é que nos exponhamos deste modo, mas perdemos a consciencializa de que o fazemos.

* Diplomado em Mestrado

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