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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 20 de septembro de 2018

Um {acelerón} político

Pedro Sánchez vai ter um estranho «aliado» nos mercados

ALBERTO Hernández Lopo
04/06/2018

 

Não posso evitar que me resultem involuntariamente divertidas as interpretações ideológicas dos movimentos nos mercados. Falo do tom apocalíptico que adotaram alguns dos altifalantes populares, {clamando} que a subida da nossa prémio de risco vivida em plena moção de censura era consequência duma possível queda/redução do já nessa altura {bunkerizado} (num reservado) Rajoy. Mas também dos que {vocearon} que a acalma sobre/em relação a nossa dívida após o triunfo da moção era castigo à corrupção do PP e sinal de um bom receção do governo nascido. {Risibles}.

Sem dúvida que a política é um fator de consideração desde os mercados. Mas não contém o rumo ideológico que se pretende vender por muitos. Mais que quem governa, importa como se governa. E, sobretudo, o capital detesta a incerteza. Por mais que se valorize alargar a margem de benefícios num ambiente instável, a maioria de investidores foge do risco desconhecido, imprevisível e difícil de calcular.

Uma pergunta que recebi repetidamente estes dias é como receberão investidores e {financiadores} a mudança político em Espanha. Se esses movimentos prévios à moção são uma mostra de nervosismo ou esconde algo mais. Em definitiva, lendo entre linhas, o angustioso interrogante comum (pouco/bocado) oculto era se o inesperado rumo político do país dará ao {traste} com a velocidade de cruzeiro da economia. É difícil acertar com absoluta precisão, sobretudo quando não se manejam todas as variáveis.

Mas se a pergunta se convertesse em aposta, esta seria minha resposta: a curto prazo, não ou somente {tímidamente}, vendo algum movimento (provavelmente, brusco) sobre/em relação a nossa prémio de risco; a médio prazo, com muita probabilidade, castigados pela inevitável paralisação que viveremos. De longo prazo, seguro. Mas não será a política o único fator.

Pedro Sánchez vai ter um estranho «aliado» nos mercados: o principal foco de preocupação dos mercados nestes momentos em Itália. Mas sua entrada em Moncloa nasce ancorada nuns compromissos que {desconocemos}, porque provavelmente nem se terão começado a negociar, e com o exíguo apoio de um jogo/partido socialista abaixo dos 100 assentos parlamentares. Isso, acredito/acho, entra sobejamente dentro do perímetro da definição de incerteza. Seus primeiros movimentos atrairão inevitavelmente o foco até Espanha.

Sobretudo se vão numa direção que é fácil prever: o aumento despesa pública. A recuperação económica do país auspíciada baixo/sob/debaixo de o mandato popular tem curiosamente um flanco realmente débil, que os populares não se atreveram (ou não quiseram) a solucionar. Espanha segue/continua tendo uma dívida pública {monstruosamente} grande, com um perigoso rátio próximo ao 100% do nosso PIB. Nosso calcanhar de Aquiles económico.

A dívida privada, por outro lado, se tem reduzido consideravelmente, o qual seria de grande ajuda num mudança de signo financeiro, com um sector privado saneado e fortalecido após a crise. Acontece que não em vejo na análise sobre/em relação a este fator dois aspetos que {considero} chaves: grande parte da redução da masa desses créditos vem do fecho de crédito a empresas (e a desaparição de muitas) e outra porção significativa vem dos créditos frustrados, irrecuperáveis, que se têm absorvido mas apagados da equação. Em paralelo, a banca corre desbocada até um exponencial aumento do crédito ao consumo, como se as taxas de juro fossem a ser baixos para sempre.

A empresa espanhola não tem {mutado} tanto como pensamos com a crise: em sua grande maioria, são microempresas ou pme, às que lhes subida pegar/apanhar volume, não aumentou a cultura de fusões ou absorções e é extremamente sensível à política económica do sector público, do qual segue/continua em certo modo dependendo.

E as taxas de juro não se manterão próximos a zero, como agora. Isso é seguro: simplesmente não poderão. Europa vai a sentir em sua economia a pressão da normalização monetária no resto e pode ver como deixa de ser objetivo de investidores. Que se {avecina} uma nova recessão está descontado, somente se discorda no prognóstico de quando começará. Por isso, uma política instável, um governo face à galeria e pouco/bocado responsável {fiscalmente} não será um {detonante}. Mas sim poder/conseguir servir de acelerador, de ser os primeiros em sentir as turbulências.

* Advogado. Especialista em finanças

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