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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 3 de abril de 2020

Trump contra o vírus

O que preocupa ao presidente é que o coronavirus lhe {descabalgue} da segura reeleição

ALBERTO Hernández Lopo
06/03/2020

 

Uma das questões que mais exaspera aos adversários de Donald Trump é seu nulo apreço às regras do jogo. Se algo está estabelecido como costume, é fácil que não lhe preste atenção. Mesmo, que o despreze. Tem certa lógica: considera que a chave de sua vitória em 2016 não está muito longe de esta forma de atuar.

É fácil rir-se do personagem. Seu {ralo} cabelo alaranjado, as maneiras de abusador de pátio de colégio e uma {parsimoniosa} e cómica forma de falar. De seu passado «telelixeira» ou suas invetivas desde/a partir de Twitter. Mas classificarle exclusiva (e {acomodaticiamente}) como um {bufón}, é demasiada vantagem. Quando numa de suas últimas comparências, interrogado sobre/em relação a o {Covid}-19, soltou um despreocupado «muitas pessoas pensa que vai-se a ir em Abril com o calor» era de tudo, menos uma ligeireza. As formas poderiam ser as de um comentário de colega supostamente inteirado, de conversa de elevador. Mas tinha algo detrás.

Provavelmente, apoio científico/cientista. É certo que parece que naqueles países que contam com a combinação de calor e humidade o coronavirus ou não chega ou, se o faz, não se expande. E existem estudos que sugerem esta eventualidade. Mas {honestamente} não tenho nem remota ideia sobre/em relação a se será certo, e deus me livre de qualquer (mínima) pretensão explicativa da epidemia. Aqui falaremos das consequências. Que som do que realmente tinha em mente {Mr}. Trump em sua tentativa {sotto} {voce} de transmitir sua confiança (real ou não, fundada ou não) aos mercados. Porque estava falando de economia.

De novo, o embrulho/envoltório sugere despreocupação e uma suficiência raiana no excesso de confiança. Mas Trump não é nenhum descerebrado, nem ao falar diminuía a importância do tema. Mais bem ao contrário/pelo contrário/ao invés. É mais que consciente que, mesmo controlada a expansão do vírus desde/a partir de um ponto de vista sanitário, seu impacto na economia do país já é visível.

De facto, após a extraordinária medida adotada pela Reserva Federal descendo meio ponto de repente as taxas de juro para paliar os efeitos económicos que causa o vírus, Trump {clamó} por uma maior/velho contundência. O qual, por certo, soa a erro tático: a mensagem não se tem interpretado como um sinal de que a ameaça está controlada, mas precisamente caso contrário. Se algo mostra é certo desconcerto e {imprevisión} perante as consequências e tempos de erradicação ou controlo dos riscos do coronavirus. E um bocadinho de pânico.

Não porque o vírus mostre {trazas} duma pandemia com um índice de mortalidade insuportável ou por um potencial colapso do sistema hospitaleiro norte-americano. Não, as possibilidades (embora existissem) som altamente remotas. O que preocupa a {Mr}. Trump é que o vírus lhe {descabalgue} da, até faz bem pouco/bocado, praticamente segura reeleição.

Trump sabe que não é simpático a grandes núcleos de população. A seu plantel/elenco não se lhe escapa que seus abusos estão sendo ainda investigados e apurados, por imprensa e democratas; e isto pode desembocar num autêntica deterioração da imagem do presidente. Mas esperam que o impacto se produza no segundo mandato. Nem ainda a sombra do {impeachment} (processo de destituição) pareceu alterar a Trump. Porque se assinta na espantosa marcha económica do país.

Aqui entra em jogo {Nouriel} {Roubini}, mais conhecido como ‘Médico/ doutor {Doom}’ ({Dóctor} Catástrofe). {Roubini} foi um extraordinário {predictor} da crise das subprime e contou, em 2006, com arrepiante clareza como e porquê a economia estado-unidense se encaminhava ao desastre. E agora {Roubini} acredita que esta crise do coronavirus está longe de ser controlada e que danificará de tal maneira aos mercados (fala de um 30-40% de queda/redução) que veremos os resultados reais na economia de Estados Unidos quando passe a atual sensação de falta de controlo. E para isso, não existem certezas. «Trump está morto», chegou a assegurar.

Por isso, e em chave local, chama poderosamente a atenção a carência de ações concretas do nosso governo. Uma coisa é não provocar desnecessária {intranquilidad} (a comunicação está próxima à excelência e transmite acalma) e outra diferente pensar que se a primeira economia do mundo vai a sofrer, num sistemas de economias interligadas, nós estaremos livres de pecado. Contra o vírus, entendo, devêssemos prever tudo o curso de ação. E num país com um sector turístico potencial como Espanha, falamos de palavras maiores/ancianidade.

*Advogado. Perito em finanças.

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