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El Periódico Extremadura | Sábado, 25 de novembro de 2017

¿Todos e todas?

Mau {andamos} se a igualdade entre sexos a {basamos} em distinções do linguagem

RAMÓN Gómez Pesado
07/09/2017

 

Dizia um sábio desses antigos, que eram os bons, que o melhor que podíamos fazer para usufruir de algo é tentar não ser demasiado adeptos ou apaixonados ou partidários de isso. Devemos aprender a {abstraernos}. Devemos aprender a ser espectadores neutralizadores. Vamos ver se me explico: por exemplo, para poder/conseguir usufruir verdadeiramente de um jogo/partido de futebol entre o Real Madrid e o Barcelona, se me sinto demasiado escravo dum ou outro plantel/elenco, não vou usufruir verdadeiramente das boas jogadas que faça a equipa azul-vermelho se sou excessivamente partidário da cor branco, e também não {disfrutaré} do bom jogo da equipa branco se me {inclino} demasiado pelo cor azul e vermelho. E não é nada fácil aprender a {abstraerse}, mas é conveniente tentar fazê-lo.

E eu, no que à política se refere, tentativa fazer o mesmo. E assim, sem decantar-me por nenhum partido político, {observo} com atenção que, quando {acudo} a algum ato no qual fala algum político, cheio minha mente de tibieza emotiva, e me chama a atenção que, se o que fala é do PSOE ou PODEMOS, ou dalgum parente, sempre cumprimentam, ao início do ato, com um «bom dia», «boa tarde» ou «boa noite» a «TODOS E TODAS».

No entanto, se o que fala é do PP ou de Ciudadanos ou seus parentes, com um «TODOS», después dos «bom dia, tardes ou noites», deixam arranjado o cumprimento. E eu, que continuo/sigo {abstraído} em minha tibieza emotiva, penso que os do PP e Ciudadanos estão cumprimentando com um «TODOS» a toda as pessoas que nos {encontramos} na sala, tanto/golo femininos como masculinos, e os do PSOE e Podemos igual, mas estes últimos, ao utilizar/empregar sempre o «TODOS E TODAS», definem género e sempre dizem primeiro «TODOS» e depois «TODAS». Acredito/acho que deveriam dizer alguma vez «TODAS» antes que «TODOS», ou alternar pelo menos, porque sempre se referem aos dois géneros, mas escolhendo sempre ao masculino em primeiro lugar. Não tenho dúvidas de que a intenção é ótima, mas acredito/acho que os resultados não se ajustam aos objetivos que se pretendem.

Algo parecido acontece com os que tiveram a feliz ideia de pôr nos semáforos uma saia para as senhoras e um chapéu e calças para os senhores. O pior que podem ter facto/feito para fazer-nos ver que o sinal luminosa não deve ser um {monigote} que represente somente a uma pessoa masculina, é colocar-lhe uma saia para indicar-nos o feminino, como se a feminilidade {radicara} numa saia ou a igualdade se medisse em moda e complementos.

Nós, nas salas de aula, entendemos a igualdade doutra forma. {Impartimos} conversas a nossos jovens por pessoas especializadas para explicar onde reside a verdadeira igualdade. {Realzamos} o trabalho de mulheres e homens e homens e mulheres por igual, numa sociedade onde os valores fundamentais devem ser a inteligência, a solidariedade, o trabalho em plantel/elenco, o respeito e a tolerância à diversidade em todas suas formas, e assim se o fazemos ver às famílias para que todas os trabalhos que se realizem em casa sejam repartidas por igual e sejam realizadas por todos os membros sem atribuir tarefas específicas por sexo. Todos os membros que {formamos} parte do Conselho Escolar da Comunidade Educativa nos {afanamos} cada dia em lutar, verdadeiramente, pela igualdade entre sexos, e nossas atuações ao longo/comprido de cada curso vão encaminhadas sempre nesse sentido.

Nos {encontramos} muito longe de a ideia das sinais luminosos dos semáforos e das {coletillas} políticas que deixam cair alguns dos nossos representantes da vida pública para defender a igualdade entre sexos. Mau {andamos} se a igualdade a {basamos} nisso, em se devo dizer emigrante ou {emigranta}, membro ou {miembra}, jornalista ou {periodisto}, cantora ou {cantanta}, todos ou todas…

Por isso, ainda {abstraído} por essa tibieza emocional ao observar algo, como nos ensinavam e aconselhavam os filósofos antigos, devo confessar que, quando {escucho} que as primeiras palavras de um representante político num ato são «TODOS e TODAS», se me escapa, entre pensamento e {balbuceo}, um quase impercetível, inofensivo e respeitoso «¡¡quanta ‘{joía}’ {tontuna}!!».

*Diretor do {IES} {Ágora} de Cáceres.

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