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El Periódico Extremadura | Terça-Feira, 16 de janeiro de 2018

Testemunhas

PILAR Galán
11/01/2018

 

Aconteceu faz onze anos, e não voltei a saber nada mais do tema.

As notícias se acontecem umas a outras sem pausa, e o tempo apenas dá para conhecer o final dalgumas histórias.

Outras, ficam sempre incompletas, como esta.

Em Outubro de 2007, um jovem com a cabeça rapada (o que nos tranquiliza adjudicar imediatamente uma origem marginal, ou desfavorecido a um agressor), a empreendeu aos pontapés com uma jovem equatoriana.

O vídeo mostra ao jovem no momento da agressão, mas sobretudo mostra a impassibilidade dos demais viajantes, esse eterno olhar para outro lado que se faz mais patente que nunca.

Escrevi uma coluna nessa altura. Não podia entendê-lo. Tinha mais pessoas no carruagem, certamente a suficiente para segurar ao jovem, que não esgrime nenhuma navalha ou pistola, só/sozinho sua violência. Isso não o podem saber os outros, os espectadores passivos que fingem não dar-se conta de nada.

O medo é lícito. A cobardia também. Quem pode assegurar que a intervenção não implica uma ferida, um golpe, não regressar são e salvo a casa después do trabalho.

Ninguém sabe como reagir num caso assim. Falar por falar na tertúlia do café não basta. Existem estes momentos, poucos, que constituem a pedra de toque do carácter humano.

Como respirar fundo, levantar-se do assento e recriminar sua atitude ao jovem, conterle, advertirle de que sua ação não pode ficar impune.

Recordei estes factos/feitos ao ler a notícia da terrível violação que tem sofrido uma mulher quando caminhava até seu trabalho.

Pelo menos três pessoas fizeram caso omisso a suas petições/pedidos de auxílio. Quem baixa o ribanceira, quem atreve-se.

O jovem de 2007 sorri na foto que se filtrou à imprensa. Acredito/acho que até chegou a pedir dinheiro por intervir nalgum programa.

Dos viajantes não se diz nada. Agora também não. Deve ser duro voltar a casa, jantar, beijar aos filhos, deitar-se.

Fechar os olhos e esquecer os gritos, o golpe, esse momento justo em que pudemos ser pessoas e demonstrar o coragem de ensinar às bestas que são elas as que estão sós.

* Professora

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