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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Tempo de deveres

Convem que {asumamos} que a vida que entendemos como normal/simples se tem paralisado

ALBERTO Hernández Lopo
13/03/2020

 

O {leí} num {tuit} e me chamou especialmente a atenção. Um jornal italiano, um que além disso conta com a tradição e enraizamento da histórica cabeceira {Corriere} {Della} {Sera}, decidia tomar posição num editorial valente sobre/em relação a o coronavirus. «Faz muito tempo que {aprendimos} a viver só/sozinho dos direitos. Chegou o momento -acontece na história duma nação- dos deveres».

Para os adeptos ao basquetebol (mais concretamente à NBA), existe uma época que é conhecida com o curioso nome da época do «asterisco». Faz mais de vinte anos, um confronto {enconado}, alimentado por uma longa desconfiança, entre jogadores e proprietários dos equipas ameaçou com fazer cair a liga na época 98-99. No fim, se impôs a juízo (e, sobretudo, um vantajoso acordo económico) o que se traduziu na reiniciação da competição. Não sem passar antes por uma longa paralisação que reduziu enormemente o número de partidos. Por isso, nos arquivos sempre aparece essa época marcada com o mencionado signo, que a estigmatiza como esse ano diferente. Como uma suspensão da normalidade.

E a isso é exatamente ao que nos {enfrentamos}. Convem que {asumamos} o quanto antes que a vida que entendemos como normal/simples se tem paralisado. Não por decreto, mas por natureza, nossa {cotidianidad} fica suspendida. Até que, entre todos, {luchemos} para que se reduza o ritmo de contágio e {evitemos} a ameaça de um colapso sanitário. Por certo: pelo menos nós estávamos avisados.

Não todas as sociedades vivem a irrupção de eventos excecionais com um período de preparação e com informação ao vivo. Praticamente, nenhuma catástrofe natural chega com aviso prévio. Som {shocks}. Bem o sabem aqueles países, regiões, cidades que têm vivido um tsunami ou um terramoto. Fenómenos que podem durar mesmo minutos, mas muitos dos quais deixam sequelas de toda uma vida. Complicados de assumir porque a transição entre saber e viver apenas se dá.

Antes de olhar para outro lado, antes de pôr o foco nas decisões políticas e nas repercussões económicas, toca assumir que estamos em tempo de deveres. Agora mesmo, temos mais obrigações que direitos. E não passa nada. Não acredito/acho que nos {hallemos} perante um apocalipse, por isso convem ver que podemos fazer cada um para evitar uma desnecessária propagação e seguir/continuar as regras que se nos solicitam. Não me parece que a {incomodidad} seja razão para tocar as narizes. {Demostremos} duma vez que não vale nem psicose nem envio de {memes}. Simplesmente, ter em conta as medidas que se estão solicitando. Tudo o resto não é mais que {incivismo}.

Se calhar temos vivido olhando demasiado por cada um dos nossos direitos. Desde/a partir de os púlpitos políticos, mais num país extremadamente intervindo como Espanha, se têm usado como espoleta para procurar o voto. Mas agora não falamos de limitar direitos, só/sozinho de assinalar nossos deveres como cidadãos. Onde nascem aqueles, por certo.

Se o que procuramos som medidas {coercitivas}, {demostraremos} que, quando passe a ameaça, somos pouco/bocado mais que uma sociedade profundamente adolescente. Nem um excesso de zelo (esses açambarcadores de alimentos e bens) nem uma {atolondrada} descontração. Tão simples como cumprir, puro dever cívico. Se não, depois, como tenham a ocorrência de protestar num hospital por algum atraso ou erro humano, que lhes recordem estas próximas semanas. Que não somos peixes.

Me tenho afastado conscientemente nesta equação à turma política. Mas na verdade pode servir como exemplo. Não há nada que funcione melhor que mostrar {clamorosos} erros: não {hagáis} isto. Parece evidente que o manejo da crise sanitária se fez desde/a partir de os tempos políticos. Com ocultação ou, quando menos, {suavización} duns {zigzageantes} números em benefício de espúrios motivos políticos (ou partidaristas). Dá igual. Não é tempo para indignação, já terá momento para que, aquele que o considere, valorize a irresponsabilidade duns e outros nas urnas.

Se {suspendemos} nossa vida, façamos o mesmo com esse {culebreo} ideológico que lhe damos a tudo. Agora as coisas não estão bem ou mal se as faz um jogo/partido ou outro. Toca pedir coordenação, ajuda e medidas eficazes. Tempo, sim, de deveres.

*Advogado. Especialista em finanças.

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