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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Taxinomias e {taxidermias}

PILAR Galán Rodríguez
12/03/2020

 

Como meninos perdidos ou como anciãos ancorados a uma memória cada vez mais {deshilachada}, não sabemos viver sem etiquetas, sem {cartelitos} que nos indiquem o nome ou a função das pessoas, animais ou coisas. Parece que se temos um nome, as dores da doença som menos intensos, ou os sintomas se agrupam baixo/sob/debaixo de o guarda-chuva protetor do conhecido. {Ay} do pobre que se aventure a atirar-se ao mundo sem olhar o papelinho que esgrime cada um como defesa ou arma.

Pobre, por exemplo, do professor, por falar do que tenho mais a mão, que atreva-se a dar aula sem conhecer a etiqueta exata de cada aluno. Resulta que se não {clasificamos}, não dormimos bem, e não sabemos enfrentar-nos às dificuldades que nunca conhecerão os que classificam desde/a partir de seus gabinetes, quentinhos, a salvo sempre de que um aluno se lhes desclassifique e nessa altura a tenhamos atarefada. Claro que também não conhecerão as vantagens maravilhosas de encontrar-se em território desconhecido, nem de explorar e muito menos a de rir-se de todas as {casillas} nas que os que nem sabem nem entendem tratam de encaixar aos alunos.

E algo parecido nos passa agora com as siglas que tanto/golo alvoroço têm provocado o oito de Março. {Confieso} que me tenho inteirado há/faz pouco de que significa ser {cis}, {queer} ou {binaria}, e que {desconozco} o significado doutras tantas, mas acredito/acho que a taxinomia não dá nada ao que representa essa data. De acordo com que o que não se nomeia parece não existir, mas o abuso de etiquetas acaba por não deixar ver o caminho. E este não pode ser mais claro, nos {llamemos} como nos {llamemos}, ou tenhamos ou não assumida nossa condição ou façamos bandeira dela ou queiramos mudá-la ou o {dudemos}. Os objetivos som os mesmos para todos: um mundo no qual os seres humanos sejam iguais, possam aceder a um estreitamente digno e além disso ser remunerados com indiferença de seu sexo, possam escolher com quem querem passar sua vida ou se preferem viver-la sós, ter filhos ou não, vestir como queiram, mostrar seu rosto, não ser explorados nem tratados como se só/sozinho fossem objeto de desejo, e voltar a casa a salvo, e nas condições que cada um estime convenientes.

Até agora essa luta, a do voto, a do divórcio, a de poder/conseguir trabalhar e dispor duma conta no banco, a têm porta-estandarte as mulheres. Se agora querem somar-se os demais, bem-vindos sejam, mas as reivindicações principais não mudaram por muitas outras que se lhes unam. Os direitos das mulheres escapam a qualquer taxinomia, e faz já muito que deixaram o oficina de taxidermia. Terá etiquetas, nomes variados ou formas diferentes de entender o mundo, mas os ventres de aluguer continuam a ser exploração pura e dura, igual que a prostituição, nascer menina te condena a uma vida miserable em muitos países deste mundo, e a injustiça e sua luta não têm tempo para andar perdendo-se em divisões, classificações e {cajoncitos} nos que encerrar justamente o que queremos trazer à luz do dia.

*Professora e escritora.

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