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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Sua Majestade O Rei, doente

Atirando de hemeroteca… {encontramos} todas estas notícias

FERNANDO Valbuena
14/03/2020

 

«Eu começaria esta informação de hoy com um espirro, mas estão vocês tão longe de mim que antes de que me façam o santo {exorcismo} do Jesús, María e José, certamente, teria perecido. E digo isto porque vamos a contar-lhes como é a doença na moda que, em forma de bruta epidemia, se tem metido nas casas de Madrid, e que, por ter entrado em todas, absolutamente em todas, demos em chamar o soldado de Nápoles. {Cancioncita} que também encontra-se, a estas horas, já em forma de rolos de {pianola}, já na de discos de {gramófono}, já na de cozinheiras {cantatrices}, em todos os apartamentos de todas as casas da vila e corte.» Me {limito} a cortar/fechar e bater de O Avanço/adiantamento salamanquino de 28 de Maio de 1918. Pudesse eu ter começado de outro modo, mas me tenho rendido à hemeroteca. Ao fim e à sobremesa tudo está nos livros (e nas hemerotecas). Tudo se repete com {pasmantes} paralelismos. É o que vai de O soldado de Nápoles à {horrísona} {pachanga} que hoy nos aturde. O professor Serrano estreava o primeiro de Março de 1918, no Teatro da Zarzuela, O soldado de Nápoles. Para São Isidro, todos doentes. Ou quase todos. Porreiros, {chulapos} e {petimetres}. É o que vai da verbena das Audiências à manifestação do oito de Março.

Pandemias de gripe, {llámense} como se chamem, fossem o que fossem aos olhos do microscópio, as há cada certo tempo. À gripe de 1847 seguiu/continuou a gripe russa de 1889. Em só/sozinho quatro meses o vírus do 89 lhe deu a volta ao balão sem usar avião algum. Ontem, como hoy, em Espanha os primeiros em fuga foram os parlamentares; segundo {leo} em A Correspondência de 22 de Dezembro de 1888, se fecha o Congresso «por falta de deputados». Em mesmo dia, o mesmo diário/jornal, avisava: «Dalguns teatros, se diz que terão que fechar as suas portas, porque nem há artistas disponíveis nem público que vá a vê-los». A doença atacou com especial crueza a médicos e alunos da Beneficência Provincial, o serviço de correios teve de suspender-se, também o de elétricos e, segundo A Época de 6 de Janeiro de 1890, foi {menester} fixar um «revezo de padres encarregado de auxiliar aos senhores párocos na {penosísima} tarefa de administrar os Santos Sacramentos aos doentes da epidemia {reinante}». «{Dícese} que nos últimos 15 dias têm morto em Madrid mais de 500 pessoas vítimas de pneumonia. É cada vez maior/velho e mais visível a {desanimación} ({sic}) em ruas e passeios, nos centros sociais e políticos» (O Imparcial, 28 de Dezembro de 1890).

Três quartos aconteceu entre 1918 e 1920. A mal chamada gripe espanhola; tudo porque em Espanha, a salvo de censura de guerra, o diário/jornal O Sol informava o 28 de Maio de 1918 de que sua majestade Alfonso XIII tinha contraído a doença. O trancada. A gripe espanhola. Espanhola embora se originou, provavelmente, em {Kansas}. Mas não só/sozinho adoeceu o rei,... mais da metade dos humanos se infetou e os mortos se estimam entre vinte e cinquenta milhões. Por isso já sabem. Tomem nota. E guardem quarentena porque como vinho foi... e se irá. Em 1920 desapareceu entre hilariantes (hoy) anúncios de vagos remédios como a {eucaliptina} ou o {respirol} que recomendava o médico/ doutor Wagner. Questão de meses. Os sobreviventes eram já, na sua maioria, imunes. Foi como foi a do 89: «pode dizer-se que a epidemia do trancada tem desaparecido em Madrid», publicou A Época o 20 de Janeiro de 1890. E enquanto isto escrevo desinfetam a escada. Ontem se levaram à vizinha do terceiro. Uma estudante italiana que no elevador se me antojava simpática (e sara).

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