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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

{Soledosa} e bêbeda

MAR Gómez Fornes
07/03/2020

 

Uma mulher costuma fazer seu caminho só, simplesmente, solitária e {soledosa}; a sós, por ela mesma; vestida com a túnica arenisca do deserto. É uma e única; um só/sozinho violino como quando a melodia se interpreta sem acompanhamento. E sim, por vezes vai bêbeda. Bêbeda de medo, de felicidade, de incerteza. Bêbeda e doméstica, carregada de estreitamente e filhos, de coadas e refeições, de insónia; bêbeda de preocupações, de camisas sem botões.

Bêbeda pelas muitas tardes de parque e escorrega em que se convertem os primeiros anos de Martín, de {Jacobo} e José Pablo. Bêbeda desde/a partir de no mesmo dia do parto com dor; também bêbeda pela pena de não ter sido mãe. Transita mais só que a uma nestes casos.

Solitária e {soledosa}. Violino duma só corda. Bêbeda porque vai aos hospitais a cuidar dos seus sem quadrícula de revezo que valha. Bêbeda fazendo a lista da compra. Bêbeda pelo ruído da aspirador. Bêbeda de voltear meias e depois dobrar a esquina. Bêbeda de {viudedades}. Bêbeda nas mais estrita intimidade.

Poética e {patética} bêbeda nas despedidas. {Solísima} quando reza sob os efeitos duma bebedeira de silêncios. É o que tem beber-se a vida a {chupitos}.

Mulher só e única, como as grandes damas solitárias; aquelas que escreveram bêbedas de anonimato, sem público, -para elas sós e seu próprio deleite-, no recinto de um quarto de estar rodeadas sempre de {merengues} e latas de {mermelada}, estando elas como cubas.

Bêbedas e {ajumadas} vamos todas sem chegar a tempo a quanto nos {exigimos}. E essa é, precisamente, a festa mais comprometida e ousada na qual nos temos coado -«em teu festa me {planté}... muita menina gira mas nenhuma só»-, num {guateque} de obrigações laborais e dedicações familiares. Ninguém nos convidou mas naquela festa que nos {colamos}. Normal/simples que entre celebração e {despelote}, dessa {parranda} tenhamos saído tão prejudicadas.

É o que tem querer beber-se os ventos.

Em tudo este divagar, andor solto meu desejo de liberdade de espírito, dado que outras liberdades como as de expressão ou pensamento, foram já tuteladas por alguns {vendehumos}. Essa libertação do espírito é ao máximo que posso e quero aspirar, dado que estaria isenta de dogmas ou assistência a oficinas sexuais. Poderão pôr {grilletes} às palavras, às emoções, a qualquer tentativa de sublimação, mesmo às ideias...mas não à essência, ao fundo, à {enjundia} onde cada um sementeira/semeia e rega seus preceitos.

Meus motivos não som egoístas mas sim elevados, pois {aspiro} à liberdade de espírito e à possibilidade de que, com a passagem do tempo, seja livre de escrever, pensar e sentir o que lhe apeteça. Por exemplo, que estamos perante uma embriaguez, um sem sentido embriagante; que alguém tirará talhada de tudo isto; que com semelhante pedal não {llegaremos} muito longe. E não é que leve um pendure de fim-de-semana, é que escrevo {moñas} assim de vez em quando. Uma não escreve artigos para dar o {pelotazo} mas para que o leitor se agarre bom pifão de interpretações. Simplesmente.

É lícito perseguir um idealizador em linha reta, mas somos muitos mais os que preferimos fazer o caminho em {zig}-{zag}, detendo'ns em cada curva, nas quintas e de frutos; tomando uma flor aqui, uma {ramita} ali ou umas mouras lá. Porque se algo define o sentir feminino é a paciência, o transitar semeando flores pelo caminho, levar um lápis e pintar paisagens na singradura. ¿Não é isto talvez {embeberse}? {Melopea} não é uma deusa.

Solitárias sim, mas esmaltando os caminhos, sorteando {vericuetos}. Sós e bêbedas na senda até casa. {Hermosamente} {piripis} como o canto do {cuco} ao amanhecer, como o voo {azulado} de um {elanio}, {clarín} pelo céu... ébrio de ar e cujo assobio «{liiii}-{uit}....{plit}», farto recorda ao soluço que dão as {lloronas}.

*Jornalista.

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