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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

A senhora da limpeza, e a muita honra


07/03/2020

 

Pois sim, sou a senhora da limpeza, a limpadora, a que limpa, «a da limpeza» (dito com tom depreciativo em muitas ocasiões), e a muita honra. Sou essa pessoa que passeia a {mopa} pelos corredores intermináveis e limpíssimos de um aeroporto, uma câmara municipal, uma universidade, um centro comercial ou um bloco de escritórios. «Mira que {chollo} de estreitamente tem essa», comentam a minhas costas. ¿Verdadeiramente querem saber como se desenvolve minha jornada laboral? As horas se fazem intermináveis, todo o dia de pé, as escadas nunca terminam de estar limpas, o lixo se acumula nas papeleiras, os chãos dos serviços molhados, os vidros {manoseados}, ¿e quem terá facto/feito suas necessidades fuera do inodoro? ¿Como chegaram essas manchas à parede? ¿Porque é que ninguém respeita meu estreitamente? A senhora da limpeza, essa pessoa quase invisível que se ganha a vida tão honradamente como qualquer, está situada no mais inferior lista, mas trabalha mais duro que muitos outros, por um ordenado ínfimo. Em muitas ocasiões tem de fazê-lo de forma ilegal, perdendo assim vantagens como férias, baixas por doença ou prestações. E se nalguma ocasião desaparece um objeto, a primeira assinalada com um dedo acusador é a limpadora. Talvez tem estudos e tem de conformar-se com esse estreitamente para sobreviver, pagar faturas ou dar de comer a sua família, mas não a exime de que a olhem mal e a tratem pior. É como uma maldição, sem ver-te, ¿porque é que te olham mal? Na verdade, somos como anjos guardiões: enquanto o mundo descansa, {nosotras} {limpiamos} para que tudo esteja impoluto dia após dia.

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