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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 19 de agosto de 2019

O relato fala de quem o tem escrito/documento

JOAN Cañete Bayle
13/08/2019

 

Uma das muitas virtudes de {Years} {and} {years}, a {distopía} quotidiana de {HBO}, é como narra o promoção do populismo num contexto de insegurança e perda de referentes ao mesmo tempo que descreve as vidas quotidianas duns personagens que sofrem e contribuem a esse caos. A História, com maiúsculas, costuma explicar-se de forma simplificada como uma viagem linear, coerente. Os historiadores sabem bem que a história, como a realidade, é caótica, o que faz com que o passado seja «{inaprensible}», em palavras de Miguel-Anxo Murado em seu livro A invenção do passado: «A história é como a cinza de um incêndio. Não é o incêndio, nem sequer um resto do fogo, mas tão somente um vestígio dos efeitos do incêndio. O vento sopra constantemente, dispersando-a». Como a ficção, a história é um relato (a palavra do momento) que fala sobretudo de quem o tem escrito/documento.

Em {Years} {and} {years} a família protagonista padece as consequências do devir da história. Mas também sofre, ri, usufrui, se apaixona, sonha e se dececiona. Vive, em definitiva, bem, mau ou regular/orientar. As pequenas histórias diárias, as que juntas formam as grandes correntes sociais, políticas e económicas das eras, são uma malha que se {teje} e {desteje} diariamente.

Há vida enquanto a História se desenvolve. A teve durante o processo de {industrialización} que destruiu o clima e a há hoje nas praias repletas de turistas às que chegam pateras com refugiados moribundos. Nas escolas de {Misisipí} onde ficaram abandonados meninos cujos pais foram detidos por ser indocumentados estudam meninos com famílias que têm visto de primeira mão que acontece quando a História te atropela. Igual em casa aplaudem a Donald Trump. Agora terão que explicar-lhes a seus filhos porque é que estão a favor de que seus companheiros de classe se tenham ficado sem pais.relato fala sobretudo de quem o escreve. O relato dos governos sobre/em relação a os refugiados do {Open} {Arms} e os {centroamericanos} que cruzam o Rio Bravo se as dá de realista e complexo, cheio de matizes cinzentos, oposto à hipocrisia e ao {buenismo} {naíf}, às simplificações. Mas às vezes, as coisas são simples: se salvam vidas, ou não se salvam. Antes, o herói costumava ser o que as salvava.

* Jornalista

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