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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

¡Que Cruz nos tem caído!

SATURNINO Acosta
12/03/2020

 

Que se agora a {quito}, que se agora a deixo, que se já a {quitamos} mas sem retirar-la, que se um {Buda} gigante ou se a fonte {primigenia}, a Cruz dos Mortos está no ar uma vez mais embora esta vez parece que agora a decisão vem de «em cima», pelo que algum terá respirado por não ser diretamente «o que retirou a Cruz» de Cáceres, e ao mesmo tempo, ser o que retirou «A Cruz dos Mortos».

Um monumento não deixa de ser um símbolo, e tudo símbolo está associado a algo. A {esvástica} ou cruz gamada não era um símbolo nazi, já existia faz quatro mil anos como número, passando por diversos e multiplos conhecidos em todos os continentes, culturas e religiões, até que os nazis o adotaram como sinal de identidade e nessa altura sim, o símbolo se associou e se associa ao nazismo e seus {execrables} atuações, e é a consciencializa coletiva sem exceção, a que a considera e associa com o nazismo, logo está justificado sua retirada e proibida sua exibição e exaltação pública.

«A Cruz», como se a conhece em Cáceres, para uma grande maioria nem é sinónimo de mortos, de qualquer bando, nem de Franco, nem da Guerra Civil, nem sequer a Cruz simboliza a cruz cristã, ou pelo menos não se é consciente. Para muitos cacerenhos, «A Cruz» é sítio de {quedada}, é à falta de GPS orientação para turistas, forasteiros e viandantes, é a mediana entre o Cáceres de toda a vida e o Cáceres Novo, é onde acabavam e começavam muitos passeios de avós, avós, pais, mães e casais de namorados. Foi quando a estação de comboio estava onde estava a estação, porque o comboio parece que é o mesmo, centro de despedidas, encontros, ilusões, emigração e imigração. A Cruz som lembranças, é família, e para muitos identidade cacerenha, mais que monumento a um ditador.

No entanto, para outros, é bem pelo contrário, som familiares perdidos, som valetas, é dor, tragédia e um insulto. Para alguns é uma questão ideológica. O pior é que todos e nenhum têm razão porque embora um monumento num princípio se realizava em honra ou lembrança, em cujo caso seus detratores têm toda a razão, atualmente a maioria passaram a ser considerados símbolos e um símbolo não é mais que uma relação de identidade com uma realidade, geralmente {abstracta}, à que evoca ou representa, e nessa altura o que não vêem mais que um lembrança que {añorar}, também teriam seu parte de razão.

Em todo o caso, esta reflexão é falar por falar, desde/a partir de «em cima» já tem ditado a ordem/disposição, e somente diminui a execução, a celebrar pelos que vêem «A Cruz dos Mortos» como monumento e a {añorar} pelos que vêem «A Cruz» como somente um símbolo de Cáceres.

*Professor.

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