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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 20 de septembro de 2019

{Psicomercachifles}

Os malandros de agora se te coam pelas redes, recebem adiantado e te {abducen}

VICTOR Bermúdez
11/09/2019

 

Me escreve entusiasmado um ex-aluno para convidar-me a partilhar o «projeto juvenil» no qual andor metido. Abro a ligação e aparece a web de um evento que, a pouco/bocado que {mires}, está entre uma demonstração de produtos, uma sessão de {coaching} para executivos pelintra e o {show} duns {tube}-pregadores com vontade de {forrarse}.

Nada novo baixo/sob/debaixo de o sol –{piensas}, depois de/após admitir a parte de responsabilidade que te toca como profé–, salvo, se calhar, a estética e o meio. Quando eu era pequeno os tagarelas –gravata, cabelo cortado/dispensado a navalha, enormes pastas– {mendigaban} de porta em porta e os mais humildes –com suas loções milagrosas e seus prodigiosos {mondapatatas}– sobre/em relação a um gaveta no mercado; {podías} observar como trabalhava o «gancho», ouvir o emotivo testemunho do {neoconverso}, ou pasmar-te com a {candidez} do {pardillo} que acabava picando; o espetáculo era gratuito e educativo. Os malandros de agora –com pinta de empreendedores de ginásio– são mais agressivos: se te coam pelas redes, te recebem adiantado e te {abducen} de corpo e alma.

A ‘Experiência 10x10’ (assim se chama o «projeto juvenil» que têm vendido a meu ex-aluno) subida entre 35 e 147 euros, que é a entrada VIP. Esta última te dá direito a gozar em primeira fila do verbo do vendedor-líder-professor (um {veinteañero} ignorante e pretensioso de sorriso ensaiado) e a um jantar {healthy} ({sic}) com ele e seu plantel/elenco. Segundo o vídeo-testemunho de seus discípulos basta com uma {palabrita} sua para mudar-te a vida. Mas ninguém o diria ouvindo-o repetir banalidades enquanto dá {palmadas}, {chasquea} os dedos e mira fixamente à câmara com face de {chamán} vendedor de aspiradores. Como ele pululam legiões na internet

Todos oferecem o mesmo: uma técnica de sua invenção para triunfar indistintamente (porque são já coisas indistintas) na vida e os negócios Para isso –e apesar de que se insiste em que «tudo depende de ti»– {debes} seguir/continuar como um borrego os misteriosos dez, sete ou doze passos que (pagamento prévio) se te indicam. Todos soberanas {pamplinas} extraídas dos livros de auto-ajuda, com a particularidade de que, junto às tradicionais («conheça suas fontes de energia», «tenha mentalidade vencedora», «domine as leis da comunicação interpessoal»...) aparecem outras novas relacionadas, por exemplo, com a {neo}-subcultura do {fitness} («pratica a superalimentação», «molda teu corpo», «supera teu marca pessoal»…).

Todos coincidem também em sua forma de apresentar-se. Onde antes tinha tagarelas, malandros ou gurus, agora há {speakers}, {influencers}, {coaches}, pessoal {psycho} {trainers}, «produtores de experiência» ({sic}), «estrategas digitais» e, sobretudo, muito «empreendedor» (assim, em geral). Todos utilizam palavras ambíguas e esotéricas –potencial, poder/conseguir, energia...–, e todos pretendem dispor dalgum aval científico/cientista (a física quântica, as ciências do cérebro, a psicologia). Alguns insistem em que seu método serve também para poupar dinheiro e investirlo adequadamente (através de aplicações proporcionadas por eles mesmos). E todos, sem exceção, advertem que –como o trouxe do imperador– seu ‘luz’ só/sozinho é visível para uma pequena elite (os que pagam), e completamente invisível para derrotistas e medíocres (como o que isto escreve, naturalmente).

¿Mas sabem que é o pior de tudo este mixórdia de marketing barato, {patapsicología} para {yuppies} e subcultura de {youtubers} postos de {fitness}? Que dando-lhe um verniz de inovação e tecnologia se nos está coando na escola. Assim, à já intrusão do {mindfullness}, o {coaching}, a inteligência emotiva, a neuroeducação e outras bagatelas (e negócios) do que já se conhece como o «giro/gracioso terapêutico» em tendências educativas, agora se somam congressos repletos de {speakers}, {influencers}, e empreendedores que vivem de contar os empreendedores que são. Todos convidando'ns a dar um passo e perder o medo... a comprar seu produto para gerações inteiras de futuros clientes. E agora já não te dá a riso que te dava o vendedor de loções enganando à pessoas no mercado. Porque agora o mercado o é tudo, até à escola... E não há por onde escapar.

* Professor de filosofia

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