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El Periódico Extremadura | Sábado, 23 de junho de 2018

Prudências e modernidade socialista

Sánchez poderia ter optado por um gabinete de fiéis, mas preferiu rodear-se de referentes

CARLOS Carnicero Urabayen
11/06/2018

 

Pedro Sánchez parece consciente do momento que vive. Não deve resultar fácil para um líder que tem desafiado a lógica do poder/conseguir tantas vezes. Não podia, mas pôde, poderia ser o mote de cada uma de suas vidas em política. Deu um queda ao sistema político do país numa semana. Mas não, longe de confundir sua chegada à Moncloa como uma vitória eleitoral mais, parece atuar de forma prudente nos seus primeiros passos, consciente de que terá que ganhar-se a presidência cada dia. Discrição e poucas celebrações. Bom sinal.

A lógica constitucional da moção de censura é {inapelable}. O Parlamento escolhe ao primeiro-ministro -embora em nosso sistema se chame presidente- e deve ser capaz de retirarle a confiança e procurar um substituição se é necessário. Rajoy estava esgotado e Sánchez pilotou uma coalizão que disse basta à corrupção sistémica. Mas uma coisa é armar vontades para o não à {Gürtel} e outra afirmar a coalizão do sim a Sánchez cada dia desde a Moncloa, não só/sozinho para conseguir maiorias no Congresso mas aceitação social num país acostumado a votar para mudar de Governo.

A formação do Governo lança sinais positivos. Há uma magra linha entre a prudência e os complexos. Sánchez não a tem cruzado. Poderia ter procurado um Gabinete reduzido de fiéis do PSOE, disposto para gerir uns meses sem fazer muito barulho, mas em seu lugar tem optado por rodear-se de referentes da sociedade espanhola; mentes livres que lhe poderão fazer sombra, dizer «não» se discordam e «adeus» se se fartam.

O «Governo dos melhores» de Sánchez quebra com um dos grandes {males} que têm divorciado à política dos cidadãos: a {indisimulada} hegemonia dos burocratas de jogo/partido, que falam e raciocinam em termos similares sobre/em relação a como e quando manter o poder/conseguir do pequeno. Do talento e a pluralidade como suspeita que acompanhavam ao PSOE se passou ao Governo galático. Não está nada mau.

A MODERNIDADE do Executivo, com presença recorde de ministras (11) face aos ministros (6), bagagens mistas do sector público e privado, nacional e internacional, identidades sexuais diversas, opera como um dardo na cansativa retórica franquista do {procés}. A obsessiva {caricaturización} da Espanha do {churro}, touros e {panderetas} produz mais riso que nunca neste novo tempo.

A presença de {Borrell}, chicote do independentismo, e de Grande-{Marlaska}, juiz com pedigree na luta antiterrorista, apaga de um {plumazo} as análises que caricaturaram a chegada de Sánchez como a traição à Espanha constitucional no meio de seu pior desafio. Diálogo sim, mas certamente não são estes atores aos que um imagina quebrando o país.

Mas se calhar a notícia de mais largo percurso/percorrido é o orgulhoso europeísmo do novo Governo. No meio dos retiradas nacionais que são moda neste continente e para além, Espanha mostra ao mundo que sua modernidade evoca o melhor dos valores europeus que hoje vivem questionados.

* Jornalista e {politólogo}

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