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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 17 de fevereiro de 2020

Provocadores ou vítimas

ALBERTO Hernández Lopo
12/07/2019

 

O que as câmaras mostram, sem dúvida, são momentos de verdadeira tensão. A comitiva de Ciudadanos no ‘Orgulho’ avançou, lenta e hesitante, rodeada de insultos, ameaças e no meio duma chuva de desprezo em forma de objetos, os que tivesse a mão. O que devolvem as imagens são um grupo rodeado e assinalado, {arrinconado} e progressivamente menor em número. Por aquilo de que, embora nos vai ficando menos espaço, o medo continua a ser livre.

Pode ser certo que muitos dos que ali estavam desdobrassem seu perfil mais desafiante. Que desafiassem a aqueles que repreendiam. Alguns mesmo pareciam cómodos em sua pose de {enfant} terrível. {Desabridos} e {cuasi} jactanciosos, a bocados. Se condena a agressão, claro, mas cabe a pergunta se não tinha ({pre})meditação de provocar.

¿Cabe? ¿De veras, tem lugar? Pois essa parece ser a questão. Segundo dois programas --diferentes-- de televisão, com a necessária colaboração dalgum meio escrito/documento, há dúvidas sobre/em relação a o que aconteceu no sábado passado na celebração do Orgulho em Madrid. Sim, naturalmente, vá pela frente/por diante que se condena toda violência, qualquer forma de agressão, «mas»… Até aí, bem. É esse «mas» o que tudo muda.

Porque é o início da justificação. Toda a arquitetura da {culpabilización} da vítima (¿lhes soa?), que foram os militantes de Ciudadanos, que não puderam nem expressar livremente sua adesão à causa nem deambular livremente. Algo que, numa alucinada paradoxa, se chega a elogiar da pessoas de {Vox}, que teve a prudente e cabal decisão de não ir.

Porque a {primigenia} razão esgrimida como justificação desta violência (de baixa intensidade, sim, mas sem deixar de ser coação) é o possível apoio a {Vox} e a suas políticas abertamente homófobas. Em forma duma negociação que, agora mesmo, não existe. Mas a simples possibilidade, é carta branca para as «consequências». Aquelas com as que, {envestido} de gíria mafiosa, avisou o ministro {Marlaska}. O chefe dos nossos corpos de segurança avisando preventivamente contra o exercício de direitos fundamentais contra uns civis que, além disso, sempre mostraram-se favoráveis à causa concreta/concretiza. Uma verdadeira {iniquidad}.

Será hipótese, mas acredito/acho que somos maioria os que {detestamos} as medidas reacionárias que propõe o jogo/partido de {Abascal}. Mas, esperem, nessa altura há algo que não termino de compreender. ¿Porque é que teve insultos a Ciudadanos no passado ano e sinalização pública (por parte do PSOE) se não tinha {Vox} no cenário? ¿Porque é que teve um {escrache} à grávida {Villacís} em São Isidro, quando não tínhamos nem uma só segurança de que tivesse cadeira algum em Madrid para os ultraconservadores? Já que estamos, ¿porque é que nessa altura se expulsava a Rosa Díez, a líder de UPyD, outra formação, em 2015 da mesma manifestação? ¿É Rosa Díez «também» uma perigosa direita?

Se pode argumentar, claro, a tendência pela agitação do jogo/partido de Ribeiro. Em ocasiões, o salsa de todos as molhos. Se atribui à formação laranja que vivem da criação permanente de tensão. Mas é curioso que a acusação venha de um jogo/partido cujo antigo líder (e nessa altura presidente do governo) teve um glorioso e involuntariamente espontâneo off {the} {record} reconhecendo que lhes convinha «a tensão».

O verdadeiro pecado dos laranjas, na verdade, é esse. Não aceitar as condições que marca o socialismo. O que gritou {Marlaska} antes do cruel receção aos militantes de Ciudadanos tinha dois intenções: a profecia autocumprida (vêm a provocar, dêmos xarope «democrático») e o marcação do rival.

¿Acreditam que esta escalada de tensão público-mediática contra Ciudadanos não tem a ver com a vontade de obter uma abstenção para a investidura socialista? Não deixa de espantar-se como este jogo/partido é capaz de marcar nossa agenda pública sem que a realidade se {entrometa} demasiado. Como {asumimos} com naturalidade que os catalanistas, agora são inimigos, agora lógicos companheiros com os que entender-se, segundo convenha à governabilidade socialista.

Possuem tal hegemonia cultural que, mesmo na Extremadura, {obviamos} os próprios {bandazos} do ‘{barón}’ Vara com seu chefe Sánchez. Tal perversão que entendemos como exercício de liberdade de expressão e imprensa uma entrevista a um condenado Otegui. Que, certamente, o é. Mas, em troca, não a assistência a um ato em defesa de direitos. Que, claramente, o é.

«Mas» é que vêm a provocar. Algum lhe tem pegado gosto a ir de vítima.

*Advogado. Especialista em finanças.

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