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El Periódico Extremadura | Domingo, 21 de outubro de 2018

A porta-voz (a)

DANIEL Salgado
13/02/2018

 

Deus não permita que volte a chamar {bocazas} a um homem, eu que o sou (homem e {bocazas}), já que «{bocazas}» procede de «boca» e, segundo a RAE, «boca» é nome feminino. E do tratar-se, hoje que o feminismo deixou de ser «uma palavra escrita na parede» (verso de Pablo Guerrero a propósito da liberdade, mas que vale perfeitamente para o feminismo), é de que a linguagem adapte os géneros {gramaticales} aos géneros sexuais, de modo que se a mulher que exerce a prostituição é prostituta, o homem que também a exerce seja prostituto, ou se o homem que exerce a judicatura é juiz, a mulher que também a exerce seja juíza, e assim sucessivamente, até chegar ao caso da deputada {Irene} Montero, que está a ser ridicularizada (e o que te rondará, Montero) por dizer «porta-vozes e {portavozas}».

A {ridiculización} parte de que não foi um lapso. E não o foi, certamente, pois assim o confirmou a própria Montero, que se considera «{portavoza}» porque «o que não se nomeia costuma não existir», disse. Lapso foi «membros e {miembras}» ({Bibiana} {Aído}) ou «jovens e {jóvenas}» (Carmen Romero) ou a adaptação {refranera} de Carmen Calvo: «Fui cozinheira antes que {fraila}». O da deputada Montero, por outro lado, é uma reivindicação, ou isso se deduz de sua explicação: «Desdobrando a linguagem, embora não soe muito correto, se pode avançar em igualdade». Lástima que tenha desdobrado uma palavra cujo género é precisamente feminino, convertendo «voz» (a voz) em «{voza}». Ou que tenha levado a reivindicação até ao extremo de {feminizar} mesmo o nome do seu partido: «Se calhar o ministro deveria tomar exemplo de Unidas Podemos», lhe disse a {Iñigo} Méndez de Vigo.

Mas a deputada Montero não pretende {feminizar} a linguagem, mas só/sozinho desdobrá-lo. Por isso eu, a partir de agora, e dado que me parece correto que os géneros de homem e mulher tenham seus correspondentes géneros {gramaticales}, unicamente {llamaré} {bocazas} só/sozinho à mulher que o seja, mesmo a risco de que a que mais incorra em sê-lo, precisamente por ser a encarregada de falar (e muito) em nome de seu grupo, seja uma {portavoza}.

* Funcionário

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