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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 23 de novembro de 2017

¿Porque é que perdemos o comboio?

Investimentos territorializados obedecem a critérios de rentabilidade política ou eleitoral

REMIGIO Cordero
14/09/2017

 

Os investimentos territorializadas são as que o Estado faz nas diferentes regiões (estradas, portos, aeroportos, etc) e é a verba/partida de despesa que goza de maior {discrecionalidad}. Os Estatutos de autonomia reformados nos últimos anos incluíram preceitos nos que se requeria ao governo central destinar percentagens específicas da investimento total em seus respetivos territórios. Assim, o Estatuto de Catalunha assinala que o investimento em seu território deve alcançar seu {orcentaje} de contribuição ao PIB espanhol. Andaluzia inclui uma {clausula} similar reclamando investimentos equivalentes ao percentagem de população andaluza em relação à espanhola.

O patrão de investimentos do governo central deveria responder às necessidades de cada comunidade. No entanto, parece claro que não é assim, mas o investimento obedece a critérios de rentabilidade eleitoral e oportunidade política. E em nossa comunidade a rentabilidade eleitoral se reduz aos votos da Extremadura. Os investimentos nas dois {Castillas} e Aragão ao ser territórios de passagem para outras comunidades espanholas serão mais rentáveis {electoralmente}. Em nossa história recente a aprovação dos {PGE} esteve condicionada frequentemente pela inclusão de investimentos nos respetivos territórios. A negociação dos orçamentos de 2017 foi especialmente ilustrativa. O Partido Popular, uma vez conseguidos os votos dos deputados bascos, tem tirado adiante os orçamentos pelo voto de um deputado de Canárias. O acordo/compromisso de investimentos nessas comunidades foi decisivo para conseguir os apoios.

As quantidades/quantias destinadas a investimento cresceram entre 2003 e 2009 de forma importante passando de 9.600 milhões de euros em 2003 a 26.200 milhões de euros em 2009. A partir da crise se produz uma importante queda/redução da investimento que afetou especialmente a nossa comunidade com um investimento anual que esteve entre 300 e 400 euros/habitante e ano. No período 2008-2017 o investimento na Extremadura foi de 4.891 milhões de euros para um investimento em Espanha de 154.611 milhões de euros. Isto é, o 3.2% do total da investimento no território espanhol. Quando trata-se de investimento em comunicações, se Extremadura recebe ano após ano algo mais de 3% da investimento e seu território supõe o 8,2% do de Espanha, não somente não {convergerá} mas a distância em relação a outras comunidades irá aumentando.

Os deputados extremenhos do PP e o PSOE têm aprovado alternadamente orçamentos gerais do estado que não contemplavam as necessidades do nosso território. ¿Como se explica o apoio a uns orçamentos que não garantem o investimento que necessita o território ao que {representas}?

Os orçamentos de 2011 constituem um bom exemplo: diminuíram o investimento relativamente a 2010 num 33,7%. A delegada do governo justificou o apoio dos deputados socialistas com os seguintes argumentos: «apesar de esta redução, o investimento do governo de Zapatero para o 2011 na Extremadura é superior à investimento do governo de Aznar em 2004. Além disso, o investimento na Extremadura é do 3,2% da investimento em Espanha enquanto nossa contribuição ao PIB é tão só do 1,7% e nossa população do 2,4%». Se quando {negociamos} os investimentos territorializadas, {aceptamos} o critério da riqueza e a população e não o território, ninguém deve estranhar-se de que uma comunidade pobre, despovoada e extensa aumente sua distância em relação às comunidades ricas e {densamente} povoadas.

Seria necessária uma década com investimentos superiores a 10% da investimento espanhol para aproximar nosso território ao resto do país. É evidente que conseguir um comboio digno que articule nossa comunidade e a tire do isolamento é a primeira prioridade, mas possivelmente em segundo lugar esteja o desdobramento dalgumas estradas com importância estratégica como a N-430 e a N-432. De pouco/bocado servirão as manifestações, a encenação de pactos ou gritar até quebrar vidros, se chegado o momento de aprovar os orçamentos os deputados extremenhos voltam a esquecer o território ao que representam e continuam aceitando um investimento na Extremadura que não dê resposta a nossas necessidades.

* Perito de Podemos em financiamento.

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