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El Periódico Extremadura | Segunda-Feira, 25 de junho de 2018

¿Política sem ética?

A ética individual é um elemento não só/sozinho crucial da política, mas prévio à política

ENRIQUE Pérez Romero
05/06/2018

 

É muito possível que nos mais de trezentos artigos que publiquei neste espaço me tenha centrado mais duma vez na dualidade ética/política. Não é estranho, porque é uma das questões chave da socialização humana e da construção de espaços públicos de qualidade. Se {vuelvo} hoje sobre/em relação a ela é porque {intuyo} que a {profundización} na ética é, desde muitos pontos de vista que não poderei esgotar nestas linhas, a razão {sine} {qua} {non} para a reconstrução duma boa política que agora não temos.

A dissolução da ética no espaço público chegou até tal ponto que a alusão à mesma costuma implicar quase sempre considerações {despreciativas} de toda índole para quem a esgrime, que pode ser objeto de ludibria, ser riscado de louco, menosprezado por parvo ou, simplesmente, considerado fuera da integração social. O assunto é de tal gravidade que nem sequer é um tema de debate sincero.

A configuração da vontade popular espanhola, já desde nossa Constituição, é através dos partidos políticos, e isso tem entregue tão completamente a distribuição dos espaços públicos às organizações, que quase se nos tem esquecido que a política a fazem as pessoas. E em muitas mais ocasiões das desejáveis, com uma importantíssima marca individual, para além de a identidade dos coletivos aos que pertencem, como demonstra a progressiva imposição dos processos de primárias ou a tendência presidencialista de um sistema que é {originariamente} parlamentar.

A política a fazem pessoas, e por isso mesmo a ética individual é um elemento crucial da política, e não só/sozinho crucial mas —e isto é muito importante— prévio à política. Assim, não pode ter uma organização ética se não são éticas as pessoas que compõem-na e, muito especialmente, as pessoas que a dirigem. Este assunto foi tema de confrontação política, por exemplo, após a sentença do caso {Gürtel}, entre aqueles que acusavam de corrupto ao PP em seu conjunto/clube e aqueles que diziam tratar-se de condutas individuais isoladas. As duas argumentações têm parte de razão. São casos de falta de ética individual que, ao acumular-se (são centenas em toda A Espanha) e concentrar-se em torno de aqueles que dirigem o jogo/partido, acabam-se convertendo num problema de ética coletiva.

A questão chave aqui é que os interesses coletivos e os individuais são quase sempre contrapostos. Portanto, é imprescindível a vigilância das ambições particulares, dado que o risco de que entrem em colisão com o bem comum é algo mais que provável. Aqui podemos citar muitos exemplos, sendo os mais comuns a prolongamento das corridas/cursos políticas para além de o razoável versus/vs a regeneração política, e a busca de espaços de poder/conseguir para usufruir dos privilégios pessoais que proporciona versus/vs a dedicação à transformação das políticas públicas.

A ambição pessoal (bons salários, comodidades, privilégios sociais, realização pessoal, fama e prestígio, etc., etc.) é legítima, mas não pode converter-se na única razão para fazer política, e também não na razão prioritária. Quando isto é assim, a dedicação ao serviço público se dilui quase por completo, e com ela se dilui a ética que implica. A soma de muitas atitudes individuais parecidas a esta supõe a dissolução da ética política coletiva.

A política espanhola, analisada em seu conjunto/clube, tem muito disto. Desde a micropolítica até à macropolítica, tudo está {trufado} de ambições pessoais, desde as mais modestas até as mais desenfreadas, que desvirtuam por completo o serviço público. Um serviço público que, por definição, deve supor uma entrega e inclusivamente um sacrifício, acaba sendo, assim, uma maneira de viver melhor que a maioria da cidadania para a que se trabalha. E isso termina por supor um contexto de agravo inaceitável para uma maioria social que, de uma forma ou de outra, acaba convertendo-se em indignação que, por sua vez, se o mau não se cura, termina numa transformação social mais ou menos traumática. E nisso estamos, no trânsito desde a indignação à transformação traumatizada sem passar por uma regeneração ética arrumada.

*Licenciado em Ciências da Informação.

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