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El Periódico Extremadura | Domingo, 8 de dezembro de 2019

Periferias

CARLOS Ortiz
02/12/2019

 

Despertar nos comboios já era coisa do passado. Um exercício de nostalgia como outro qualquer os dias de estudante nos que viajava de Cáceres a Madrid para {adentrarme} na grande cidade. Brilha esta manhã o sol nas vias do inverno enquanto a megafones do carruagem anuncia as estações até ao destino final em Badajoz. Não há pressa nestes viagens. Tardam tanto/golo, já o sabemos, que o cliente assume o risco de pagar em troca de admirar o paisagem dos campos enquanto o verde brilha reluzente porque já quase é Dezembro. Nestes comboios da periferia há plataformas vazias por onde nunca passa ninguém. Paragens/desempregadas/paradas que poderiam ser para toda a vida e essa sensação estranha de que a modernidade de um comboio rápido para Extremadura será o maior que lhe possa passar a esta região no século em curso. Que querem que lhes diga: me segue/continua parecendo um milagre que algum dia far-se-á realidade por obra e graça do Governo que nos mande. A Espanha esvaziada existe. As vias também.

Há algo de aventura nestes viagens até o oeste. O distante a oeste grita os nomes dos povos/povoações que enchem este trajeto de azinheiras incríveis, armazéns abandonados e cartazes {oxidados}. A sensação segura de que as máquinas avançam neste túnel do tempo até a modernidade e à procura de a justiça da maior/velho {afrenta} resignada/sofrida por Extremadura na época recente. Uma comunidade autónoma sem um comboio de qualidade não é futuro. Mas isso já o sabemos, enquanto o ruído polui o discurso e a reivindicação. Há esperança na deriva, diz Vetusta {Morla} numa canção.

{Añoramos} o objetivo e esperaremos enquanto chega. Nas vias do deserto e nos campos da beleza. Na Espanha da periferia. Digna, mas esvaziada duma infraestrutura básica à diferênça doutras regiões bem comunicadas com o mundo. A viagem segue/continua. A objetivo/meta parece mais perto.

* Jornalista

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