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El Periódico Extremadura | Sábado, 17 de novembro de 2018

Pedro, o salvador

Sánchez salva o bipartidarismo, {arrincona} a Podemos e dá tempo ao PP a {refundarse}

ALBERTO Hernández Lopo
08/06/2018

 

Hora de entoar um {mea} culpa. Seguro que tiram dois, três ou se calhar mais artigos nesta coluna nas que a figura de Pedro Sánchez sai mau paragem/desempregada/parada. Pior, mesmo. Que um tem suas tardes. ¿Significa isto que tenha que começar a expiar culpas e redigir {laudatorias}? Não {abramos} ainda o champanhe, nem façamos o que propunha -procaz- o {Sr}. Lobo.

A audaz jogada da moção, ganhando-lhe a mão a Ciudadanos de um mais que desorientado {Albert} Ribeiro, foi um projeto politicamente admirável. Mas não passava daí: uma jogada hábil. Algo desluzida porque acusar de corrupção (provada) ao Partido Popular desde o socialismo não deixa de ser uma questão de tempos. Mais bem, de prazos processuais, de adiantar-se a que chegue a seguinte sentença. Que pode cair de «teu lado». E porque para o despejo de Rajoy tem necessitado apoios de muito diverso calado, dos que {desconocemos} que vão a apresentar em troca. Mas, {repito}, a firmeza de Sánchez, e seu primeiro tentativa de pedir a Rajoy a demissão, dissimulava por vez primeira sua ambição pessoal em algo mais próximo a uma estratégia.

Alguma sinal de altura de miras tinhamos visto em seu papel em Catalunha. Mantendo um perfil mais baixo que o do presidente (realmente, o que correspondia como chefe sem assento da oposição/concurso público), se decidiu a apoiar sem {ambages} o 155 e sua continuidade. Esquecia assim Pedro Sánchez (que não o PSOE) veleidades terminológicas e caducos {federalismos} para {abrazar} a causa do império da lei. Nunca é tarde, dizem alguns.

E, agora, investido de figura presidencial, desenha um gabinete que foi mais que bem recebido por crítica e público. Se calhar devesse refletir (seguro que «seu» Iván o fez) que grande parte desse receção vem da surpresa: poucos esperavam {mesura} e falta de rumo. Mas o certo é que a composição do governo responde com precisão {lampedusiana} ao mudar tudo, mas respeitar a linha. Um governo para esgotar e dar impulso a uma legislatura (por muitos) «liquidada». Pedro, o salvador.

¿De Espanha? Que vai. Isso bem o deve ter aprendido na dura travessia que tem tido, onde o excesso de ambição (e, sobretudo, o visível do tema) tinham lastrado todos os movimentos do {novísimo} presidente. Sánchez se joga a continuidade (objetivo último de tudo isto) em dois temas: a economia e Catalunha.

A economia de Espanha viaja em primeira, por isso o melhor era mandar inequívocos sinais a Bruxelas e mercados de que se sabia de que ia a coisa. Tocar pouco/bocado, fazer política mas sem danificar o teto de despesa. Daí, {Nadia} {Calviño}, uma tecnocrata com experiência na Europa, e que se tem visto como um indicativo de limitação de risco. Naturalmente, teremos nossa dose de tentativas de alargar o «despesa social» e mais pressão fiscal, mas (se é pronto/inteligente/esperto) será pouca coisa nesta curta legislatura. Naturalmente, do nosso verdadeiro problema económico, o tremendo endividamento, nem aproximar-se-á. Se retira votos, calcula, será em 2020. Mas é que não é uma questão de votos… mas não me quero desviar.

Catalunha é tarefa ingrata, mas com muito por ganhar. Com diminuir a tensão, será visto como algo próximo a um pacificador. Que, no entanto, não duvidou a mandar um potente mensagem aos soberanistas em forma do veterano e batalhador Josep Borrell, ao que não acredito/acho que possa atar em curto. Falará, ouvirá, como uma forma de quebrar a frieza institucional que deixa Rajoy ({léase}, Soraya), mas não duvidará em apoiar sentenças e {blandir} o 155. É uma questão de votos.

Nessa altura, ¿que salva Pedro? O bipartidarismo. Desde a confeção do gabinete deixou claro a Podemos que se ficaram à esquerda da esquerda. Que o PSOE é parte dessa social-democracia europeia com ânimo e estampa de governo. O outro, é populismo bolivariano. Por isso, ao início, até as próximas eleições, lhes dará pouco/bocado e {arrinconará} mais.

Mas é que, além disso, deixou-o uma mão ao PP, que Rajoy -que parvo não é- tem visto com clareza: quase dois anos para {refundarse} e recuperar esse espaço que era tão claramente pasto de Ciudadanos (e que Ribeiro afagou quando lançou seu ameaça a Rajoy). Curiosamente, estamos mais perto de que a nova política envelheça prematuramente antes das seguintes gerais.

Isso sim, também não nos deixemos levar pela ingenuidade. Uma capacidade {camaleónica} não quer dizer que tenha uma mudança verdadeiramente. Ano e meio em política em quase um {eón}. Veremos se isto é pura «{mise} em {scène}» ou tem um engrenagem sólida detrás. Eu tenho meu aposta, claro. ¿O falamos outro dia?

*Advogado. Especialista em finanças.

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