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A onde irão os beijos que não damos

 

SATURNINO Acosta
30/07/2020

Os que {guardamos}, dizia Víctor Manuel. Desculpem tenha escolhido uma canção que não tem muito que ver com o {transfondo} da canção homónima mas sim no sentimento de não saber onde irão aqueles beijos que não diste, os que mais te doem, os que {sabes} {recordarás} por não ter-los dado.

Hoy essas letras do refrão recebem mais força porque não som dedicadas a um amor impossível, platónico, ou de verão, é a imposição que o amor a teus seres caros nos tem restringido nesta pandemia e da negação ao contacto tão desejado que dói quando não podes realizá-lo, precisamente pelo amor que lhes {confieres}, precisamente porque {quieres} voltar a abraçar-los. Não devo ser o único, embora parece que muitos não o façam, imprudentemente, ou não tão imprudente, simplesmente não podem opor-se. É difícil, se o {aseguro}.

Eu não tenho a sorte de viver com minha família materna/{paterna} ao lado, ou com os meus amigos/ás da infância e adolescência, só posso vê-los três vezes a cada ano, Natal, Verão e Páscoa, obrigações e obrigações, não é uma errata. E que conste que nunca me tem gostado escrever nem sobre/em relação a minha vida, nem sobre/em relação a minhas experiências pessoais pois não acredito/acho sejam de interesse/juro de ninguém, mas esta vez sim o vejo oportuno, simplesmente pelo dor pessoal que me causou não fazer uso de esse beijo nem abraço a meus seres mais caros, fuera da borbulha familiar, enquanto vejo, {observo} e {leo} como muitos {rebrotes} se produzem em âmbitos familiares.

Não é minha intenção consciencializar a ninguém, Deus me livre, sempre tenho defendido e {seguiré} defendendo a autonomia e independência do indivíduo face à massa e sobretudo sobretudo perante seus sentimentos, mas hoy me é necessário {recordar} a juízo perante o coração, a prevenção face ao entusiasmo, a cabeça face ao amor. Quem me o diria, quando sempre fui o contrário. Pois sim, hoy toca o contrário.

Quero pensar que os beijos e os abraços que não {dí}, foram os mais caros, até minha mãe, meu pai e meus irmãos, também até meus amigos, porque foram os que com mais carinho deixei de dar, os que mais me custaram, os que mais doeram, mas os que com mais amor {rehuí} e os que com mais amor {dí} sem dá-los.

Somos coração e cabeça, mas às vezes {amamos} mais com o coração que com a cabeça, por isso sei onde foram esses beijos que esta vez não {dí}, dados com a cabeça e com o coração, direto aos seus.

Um beijo e um abraço.

* Professor