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A objetividade perdida

 

MERCEDES Barona
18/05/2020

De meus distantes anos na Faculdade de Jornalismo {conservo} um mão-cheia de amigos, alguns livros que me marcaram, lembranças de manhãs luminosas ao sol no pátio e certas teorias que logo a vida profissional se encarregou de pôr em seu sítio. Lembrança debates sobre/em relação a a objetividade, o direito a informação, a censura...tudo {aderezado} com o entusiasmo e a paixão que somente te dão os 20 anos.

Lembrança também a alguns teóricos da comunicação e seus encontros, que {solíamos} intercalar nos trabalhos para sentir-nos apoiados. Algumas tornaram-se quase em dogmas, como aquele ‘O meio é a mensagem’, de {Marshall} {McLuhan}. E nunca até agora foi tão evidente que a realidade será uma dependendo de quem e como a conte, porque a objetividade será a que cada meio de comunicação e seus interesses decidam.

Nunca temos manejado tanta informação e ao mesmo tempo vez tão contraditória, e por isso a verdade é tão relativa. Não é frequente que alguém se aproxime a um meio de comunicação com o olhar limpa ou ingénua, porque antes de abrir tal jornal, pôr tal cadeia ou procurar tal blogue sabe de antemão que postura vai-se a encontrar relativamente a um tema concreto. A política e a economia marcam hoje os editoriais, porque os meios de comunicação som empresas, normalmente ligadas a outras empresas, às que defendem desde/a partir de a palavra ou o silêncio.

Para que o entendam: ninguém espera encontrar elogios a Casado na Sexta, nem críticas à monarquía em ABC, nem {halagos} a Igrejas em A Razão. Por isso cada vez é mais difícil informar-se; porque mais que contar, os meios tratam de levar-nos a seu terreno. E cada vez resulta mais difícil encontrar uma trincheira que não tenha sido invadida por uns ou por outros. Até uma rede social como Twitter se tem polarizado em branco ou preto em todos os temas (mesmo na omeleta, tema que não admitiria discussão porque os {concebollistas} temos razão), até ao ponto de bloquear e não ouvir opiniões contrárias à própria. Proponho abrir a mente, questionar tudo o que nos chega (até de vozes ‘amigas’) e tratar de ver para além de o que nos contam. E depois, decidir. E {acabo} apoiando'm de novo em {McLuhan}: «Não há absolutamente nada que não possa evitar-se enquanto exista o desejo de contemplar o que está a acontecer».

* Jornalista