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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 15 de novembro de 2018

Nossa vergonha

CARMEN Martínez- Fortún
13/06/2018

 

Foram uma vez muitos espanhóis refugiados, amontoados em campos, sujos, esfomeados, assustados, fugindo da guerra, da pobreza e da morte. Fugidos de um país dessangrado, deixaram atrás tudo e, se tivessem podido escolher, nunca tivessem abandonado seu casa, modesta ou poderosa, nem seu trabalho no campo ou na escritório, nem seus {pajares} ou suas bibliotecas; nem seu {trillar} na era ou o reunir-se na tertúlia da {botica} ou na taberna.

Foram logo muitos espanhóis emigrantes, daqueles dos de um franco quatorze pesetas. Os que com suas divisas construíram a Espanha do {desarrollismo}, do turismo, do seiscentos. Os que encheram as fábricas de Mercedes ou Peugeot, e aquelas empregadas de mesa, donzelas, cozinheiras. {Morenitos}, {bajitas}, apelidados de vagos ou {ladronas} subdesenvolvidos ou atrasadas. Realizando os trabalhos que os burgueses em Berlín, em Genebra, em Paris não queriam fazer.

Hoy Europa dúvida em como chamar às cheias de seres humanos tão humanos como os europeus, que fogem da mesma guerra e a mesma fome e a mesma morte, porque a história da {infamia} é universal e a padecem o mesmo os negros, as brancas e os amarelos que as eslavas ou os ciganos. Pessoas que, se tivessem podido escolher, nunca tivessem abandonado seu casa. E chegam a países, mais ou menos ricos, mas sem guerras, sem fome, sem epidemias, sem meninos soldado, sem morte generalizada e diária. Países que duvidam em como estruturar as chamadas políticas migratórias. E alguns, com um passado não tão distante de carências, pobreza, escassez e perseguição interna preferem levantar muros, expulsar, proibir, fechar.

Terá mais {Aquarius}, como tantos houve. Mas um gesto não é só/sozinho um gesto. Porque este gesto espanhol de urgência deve ser parte da solução. Porque temos de urgir a Europa a enfrentar-se a suas contradições. Os muros e as expulsões não deterão aos desesperados. Quanto mais tardem os países poderosos em articular respostas que tenham ao ser humano no centro, mais longe estará o final desta sangria que é nossa vergonha.

*Professora.

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