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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 24 de novembro de 2017

Nem o tempo lhes salva

EMMA Riverola
03/09/2017

 

Joguemos com o tempo. As {manecillas} giram até a esquerda. O menino ainda não chegou à beira. Ainda não se tem molhado sua t-shirt vermelha nem seus {bermudas} azuis. O menino ainda tem medo e chora junto a seu irmão um pouco/bocado mais maior, abraçados ambos a a sua mãe. Sim, {retrocedamos} dois anos. Umas horas mais. O justo para respirar.

A água começa a entrar no lata. Os nervos se convertem em pânico. Alguns, incapazes de superar a angustia, se põem de pé… Mas, {recordemos}, estamos jogando com o tempo. {Imaginemos} que esse segundo terrível se prolonga até minutos e, milagrosamente, aparece um navio salvador. {Pongámosle} um nome. Por exemplo, o {Astral}, de {Open} {Arms}.

O menino se salva. Também seu irmão e a sua mãe. Todos os que lhe choraram se abraçam comovidos. As instituições europeias respiram aliviadas. {Felicitémonos}, nos temos ficado sem símbolo do nosso egoísmo e nossa incompetência. Se calhar a história nos julgue com mais {benevolencia}. O menino já {corretea} pela coberta do barco. Se aproxima o momento de chegar a terra. Atrás ficarão os ruídos da guerra, os cheiros que nunca esquecerá, os gritos, o medo, os mortos. Também os sofrimentos do caminho, a angustia dos pais, o cansaço infinito. O conseguiram. Eles, o conseguiram. Uma nova vida começa.

E agora, dois anos depois, ¿como está esse menino que temos salvo com a imaginação? ¿Que lhe fica, que faz o pequeno que tanto/golo nos fez chorar? ¿Onde vive? ¿A que escola vai? ¿Tem amigos?... ¿Queremos, realmente queremos saber a resposta a todas essas perguntas?

O 2 de setembro de 2015 encontrou-se o corpo de {Aylan}. O menino curdo {varado} numa praia de Turquia. Único para nós. Um entre milhões na tristonha estatística do horror: 50 milhões de meninos no mundo vivem fora de seus lugares de origem. Deles, 28 fugiram por conflitos e violência. Meninos perdidos. Meninos sós. Meninos órfãos. Meninos abalados. Meninos explorados... Milhões de meninos {varados} num mundo que lhes nega o futuro. Nem o jogo do tempo lhes salva.

* Escritora

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