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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Não há progresso nem democracia lá onde se silencia às mulheres

ARANTZA Sarasola
08/03/2020

 

O 8 de Março é todos os anos um dia de exame. Os jornalistas se submergem nas estatísticas para extrair conclusões que demonstram que, embora nas últimas décadas se têm realizado importantes conquistadoras, a igualdade real entre homens e mulheres é ainda uma cadeira pendente.

No Dia Internacional da mulher é a sociedade em seu conjunto/clube a que se examina, a que faz balanço, a que deve fazer autocrítica e não descer os braços na luta pela igualdade, que é uma obrigação legal e moral que nos diz respeito a todos, homens e mulheres.

A história e a literatura som a expressão mais eloquente da {invisibilidad} à que durante séculos se tem submetido às mulheres, despojadas de direitos, desprovidas de acesso à educação e privadas de oportunidades.

Embora menos que ontem, ainda hoy nossos hábitos de convivência som escravos duma série de mecanismos culturais herdeiros de normas, valores, costumes e comportamentos que têm gravado a fogo em nossa identidade formas de socialização {patriarcal}.

«Não se nasce mulher, se chega a sê-lo», dizia {Simone} de {Beauvoir}, dando a entender que a condição feminina tem mais de construção cultural que de natureza biológica.

Conta {Lyndall} {Gordon} no prefácio de seu magnífico livro Proscritas, que acaba de publicitar Alba Editorial, que «no século XIX era uma verdade universalmente aceitada que uma mulher agradável devia estar calada. Não se podia permitir o luxo de dizer nada no âmbito político. Fazê-lo era {inmodesto}, pouco/bocado feminino; a {asertividad} ou a expressão {egotista} se considerava antinatural na mulher».

Foi sua admiração até as mulheres que não se rendem e levantam a voz defendendo suas ideias frente a aqueles que as querem calar a que levou a {Lyndall} {Gordon} a {cincelar} nesta obra a esboço biográfico biográfica de cinco mulheres extraordinárias que nos deixaram um legado intelectual de valor incalculável: {Mary} {Shelley}, «uma mulher prodigiosa»; {Emily} {Brontë}, «uma visionária»; George Eliot, «uma rebelde»; {Olive} {Schreiner}, «uma oradora», e {Virginia} {Woolf}, «uma exploradora».

O 8 de Março brinda a oportunidade de {recordar} e honrar a todas as mulheres que, em âmbitos como os do pensamento, a ciência, a política, o jornalismo ou a literatura, foram capazes de navegar a contracorrente e, numa cultura {predominantemente} masculina, dar talento, inspiração e conhecimento.

Nas últimas décadas se deram passos decisivos, embora ainda insuficientes, para promover uma verdadeira educação em igualdade, facilitar o acesso da mulher ao mercado laboral, favorecer sua criatividade e dar leito a sua capacidade de empreendimento.

O apoio à mulher, a luta contra a violência de género e a defesa da igualdade em todas as esferas da vida deve ser um esforço e um acordo/compromisso social partilhado por todos. Também pelos meios de comunicação, que desempenham um papel protagonista na prescrição de ideias e raciocínios que desembocam em correntes de transformação social.

Imprensa Ibérica acredita na mulher. Em seus mais de quarenta anos de história, nosso grupo de comunicação tem demonstrado em inumeráveis ocasiões, pela via dos factos/feitos, sua fé na capacidade da mulher para assumir responsabilidades, dirigir equipas e liderar projetos.

No mundo da imprensa, governado tradicionalmente por homens, nossa companhia, que conta com uma larga/ampla presença de mulheres em seu Conselho de Administração, foi pioneira faz já décadas no nomeação de diretoras de meios.

Como mãe e educadora de quatro filhas e um filho, tenho tentado inculcar-lhes o máximo respeito e consideração até a igualdade de géneros. Eles, por sua vez, o estão a fazer igualmente como pais de meus dez netos.

Em definitiva, não há progresso nem democracia nem justiça lá onde se silencia às mulheres.

*Vicepresidenta de Imprensa Ibérica.

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