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Não é o Governo, é o Estado

O Estado é a continuidade institucional desde/a partir de 1978 até hoje. E abrange muito para além de Moncloa

 

Não é o Governo, é o Estado -

ENRIQUE Pérez Romero
12/05/2020

La {sacralización} dos partidos no sistema político espanhol —alguns o chamam «{partitocracia}»— tem consolidado um esquema mental que dificulta enormemente o estreitamente de longo prazo. Nalgum momento terá que modificar o edifício constitucional espanhol que consagra a manifestação da vontade popular, em exclusiva, aos partidos políticos (artigo 6). Entretanto, temos de {apañarse} com o que há.

É fácil observar que a competição eleitoral o converte absolutamente tudo em objeto de disputa partidarista. Quatro décadas de constatação deste facto/feito deveria ser suficiente até para aqueles que vivem com uma venda sobre/em relação a os olhos. La crise sanitária do {covid}-19 não é a primeira vez. Nem será a última, se ninguém o remedeia. Passou com o terrorismo de ETA, com o 11-M, com catástrofes naturais, com acidentes e, naturalmente, com a {interlocución} internacional em momentos críticos. Dá igual. Tudo serve para contar votos.

Dizem os maiores/ancianidade que ao terminar a ditadura os acordos foram possíveis porque tinha um objetivo comum, que era construir um Estado democrático. ¿Talvez não é suficiente motivador o objetivo de que o Estado permaneça no tempo? Seria muito ingénuo, ou muito cínico, afirmar que essa manutenção está assegurada pelo simples facto/feito de desejá-la.

O curto prazo das eleições o consome tudo numa {pira} interminável. Assim, se impossibilita a planificação do Estado de longo prazo. E um Estado que não se planifica de longo prazo acaba sendo inviável. Não é uma profecia, é a aplicação da ciência política. Podem ser cinco, dez, vinte e cinco anos, dá igual. Ou o sistema político espanhol se {repiensa} profundamente ou Espanha está destinada a ser um Estado frustrado num prazo não excessivamente longo/comprido.

Já o é nalguns aspetos. Se calhar o mais destacado é a estrutura territorial. Que o líder da oposição/concurso público chegue a dizer que «as {CCAA} que {gobernamos} som o melhor contrapeso do Governo central» o expressa com absoluta clareza. As {CCAA} não podem ser contrapoder/conseguir do Governo, não devem sê-lo. Mas o som. La diferença entre o atual líder da oposição/concurso público é que seu falta de jeito e {inexperiencia} política lhe levam a verbalizar o que outros calam, e o que quase todos têm calado desde/a partir de 1978. Mas o certo é que as {CCAA}, para além de gerar redes clientelares acrescentadas às que já existiam, tornaram-se em órgãos de poder/conseguir para pessoas e partidos. É tão óbvio para qualquer com sentido comum, que se não se quer que a curto prazo triunfe o discurso de VOX, é absolutamente urgentíssima uma reestruturação e fecho do sistema territorial.

O conceito/ponto que perdeu de vista a turma política contemporânea é que o Estado não se identifica com um Governo central conjuntural. O Estado é o conjunto/clube de instituições e administrações públicas, e não só/sozinho num dado momento, mas ao longo/comprido da história. La continuidade histórica de um Estado passa por entender bem isto e gravá-lo a fogo na prática política quotidiana.

O Governo de Espanha tem cometido erros na gestão da crise sanitária do {covid}-19, isto é uma evidencia para qualquer. Mas isso não legitima à oposição/concurso público para desentender-se de suas responsabilidades. E não só/sozinho das atuais, depositadas nos governos autonómicos onde manda, mas também nas precedentes. ¿Ou talvez o atual Governo tem que responder da foto fixa do sistema sanitário que deixou Rajoy, depois de/após permanecer no poder/conseguir durante quase oito anos?

Não, o Estado não é o Governo central atual. O Estado é a continuidade institucional desde/a partir de 1978 até hoje. E abrange muito para além de Moncloa. Por isso não se entende que se ponha ao Estado em perigo em aras do êxito eleitoral. De facto, «todos somos Estado», indo à raiz democrática na qual se fundamenta o edifício jurídico. Os partidos políticos devem entender isto urgentemente. Se não, o divórcio com o povo/vila —que já é enorme— porá em perigo, mais cedo que tarde, a continuidade histórica de Espanha tal como a conhecemos. O projeto de 1978 deve transformar-se radicalmente, ou não sobreviverá. Alguns o levamos dizendo uma década, mas a turma política se resiste, e hoy estamos mais longe que nunca de fazê-lo {ordenadamente}.

*Licenciado em Ciências da Informação.