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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 15 de novembro de 2018

A mulher {dálmata}

FRANCISCO Rodríguez Criado
06/06/2018

 

{Cosimo}, personagem estelar de O {barón} {rampante}, de {Italo} {Calvino}, decide após uma discussão com o seu pai ir-se a viver aos árvores, onde chega a levantar sua própria casa. Diversos motivos poderiam explicar no mundo real o atípico desse comportamento, mas desde uma perspectiva narrativa o {asumimos} como uma hábil estratégia para localizar ao leitor perante uma situação ilógica e indivíduo (e ao mesmo tempo cativante), uma sorte de contraponto a esta vida de exigência coletiva que nos tem tocado em sorte.

Não tenho podido evitar o lembrança da famoso romance de {Calvino} enquanto lia os relatos de A mulher {dálmata}, de {Loida} Díaz (A Discreta, 2015). É que os atores destas histórias são seres de papel {encaramados} a uma árvore, do qual descem só/sozinho de vez em quando, por intervalos curtos de tempo, para {codearse} com as baixas paixões do asfalto.

São pessoas, como {leemos} em O escapista, um dos contos, que sempre se escapam. «Se me perguntas de que me {escapo}, te direi que de qualquer coisa, do sol quando é excessivo, da noite quando me esmaga, do silêncio quando não há mais que silêncio. Também chão escapar-me dalguns trabalhos, como o do amor, ou das conversas intermináveis sobre/em relação a a busca do amor e as suas consequências [...]».

Estes relatos encenam situações quotidianas que, não obstante, contêm em maior ou menor medida um enigma, uma {conjura} --às vezes {maquiavélica}, urdida por algum personagem {encaramado} a sua própria árvore-- que nos insta a seguir/continuar lendo.

Há nestes relatos encontros e desencontros entre amantes --se se lhes pode chamar assim-- a aqueles que lhes move o desejo carnoso e humano tanto como a necessidade de sair fugindo, o quanto antes melhor.

{Compilación} de quinze narrações que nos ensinam a repensar as relações humanas com sara desconfiança.

* Escritor

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