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El Periódico Extremadura | Domingo, 21 de outubro de 2018

Morrer-se de fome

PILAR Galán
07/06/2018

 

Quereria ter escrito/documento hoje uma coluna humorística, dessas que te deixam com a sorriso aberto, plena, não com uma média/meia {mueca} de circunstâncias.

Quereria ter-me rido da frustrada operação biquíni, do trouxe de {neopreno} como solução, da dieta do xarope, do {sirope} de {arce}, da {alcachofa}, ou dessas planteis/quadros produtos de emagrecimento, modelo do burlão, cujas instruções trazem em letra {pequeñísima} a advertência de que só/sozinho funcionam se a pessoa caminha mais de dez quilómetros ao dia.

Também me tivesse gostado falar do muito que se nos vai a pinça com as regulações, ou com as {comuniones}, confirmações ou casamentos temáticos. Provavelmente é que já se nos vai a pinça com tudo e temos entrado em {bucle}.

Ou da moção de censura e a importância de guardar as formas.

Escrever, por exemplo, sobre/em relação a o insuportável gesto de Porta-moedas, com essa prepotência imatura de delegado de classe que conseguiu mudar a data de um exame.

Ou sobre/em relação a o espanto que me causam os comentários perante o facto/feito de que Pedro Sánchez tenha júri seu cargo sem {crucifijo}, como se não fora o normal/simples num país não confesso como o nosso.

Ou a esperança de que as coisas possam ser diferentes, mas também o medo a como se devolverão os favores.

Que passará connosco, os que não temos nada que negociar, e muito que perder. Se subirão as pensões. Se se devolverá o dinheiro roubado. Se {volveremos} a sofrer outra lei de educação, e se eliminarão todos os cortes e as privatizações.

Mas no meio, como sempre, se coa a realidade, proprietária e senhora da ficção, esclarecendolo tudo. Porque os emigrantes seguem/continuam tentando chegar. E muitos morrem no tentativa. Anciãos, meninos, mulheres grávidas.

E os titulares golpeiam como um punho na boca do estômago, justo aí, quando {lees} as declarações de V. {Morello}, um médico que tem visto morrer à fome entre seus braços a um desses emigrantes, um jovem {eritreo} de vinte e cinco anos.

De fome. No século XXI. De fome, repete teu língua, incapaz de encontrar uma só palavra. E nessa altura, {respiras} fundo, {vuelves} a olhar a teu por volta de, e, perante essa notícia, tudo o resto é nada.

* Professora

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