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El Periódico Extremadura | Sábado, 23 de septembro de 2017

A Moderna

MARIO Martín Gijón
02/09/2017

 

Numa região onde a metade dos jovens querem ser funcionários (e com boas razões, vistas as condições da maioria de {empresaurios}), resulta animador cada caso no qual, sem apenas capital inicial, alguém de vinte e tantos ou trinta e poucos se dá de alta de autónomo/trabalhador independente e empreende a aventura, consciente de que, como me dizia {Saúl} {Roncero} (que montou a cabeleireiro {Underground} e ao que, após uns inícios que teriam {echado} para atrás a muitos, lhe vai muito melhor), na Extremadura, os dois primeiros anos são de resistência. Isso o sabe bem David Matías (Galisteo, 1986), fundador de A Moderna, editorial digital com sede em seu povo/vila e cujo catálogo, embora breve (apenas leva uns meses) é promissor. Matías, autor duma dissertação douta sobre/em relação a a região das Hurdes e um notável romance, Princípio de incerteza, conhece as desvantagens de montar uma editorial na periferia, mas não se {arredra} (já Julián Rodríguez conseguiu com {Periférica} uma editorial cacerenha reconhecida internacionalmente) e sabe também as possibilidades de o digital para cobrir um rádio de ação que cruzamento oceanos sem ter que pagar tarifas nem despesas de envio.

Tudo isso com a porta aberta a publicitar em papel, se a procura o exige. Por enquanto, nos oferece amostras de quase todos os géneros: desde uma nova edição de Poeta em Nueva York, de García Lorca, ilustrada com desenhos do autor, a uma coleção de relatos, Olhos que não vêem, coração deserto, da mexicana Íris García Cuevas, que gostará a aqueles que sigam/continuem séries como Narcos ou {Breaking} {Bad}, ou a um dos ensaios de estética mais importantes do século XX, A obra de arte na era de seu {reproducibilidad} técnica, de {Walter} {Benjamin}, em versão do prestigioso tradutor {Aníbal} Campos. Embora se calhar até agora a jóia de seu coroa seja Eva não tem paraiso. Ensaio sobre/em relação a as escritas extraterritoriais e a autoficção, da peruana Patricia de Souza. Autora de nove romances nas que a construção duma identidade feminina se funda com a busca de um nova linguagem, na sua primeira incursão no género do ensaio, De Souza parte da diferença entre o {malditismo} voluntário dalguns escritores (que Mario Campaña descrevesse em seu excelente {Linaje} de malditos) e a {marginalidad} obrigada das escritoras, que se abrem passo num ambiente onde dominam modelos masculinos. «As mulheres», diz com ironia, «participam na vida pública invadidas por um sentimento de culpa ou de respeito pela figura {paternal}, como se assistissem em tanto/golo que convidadas de honra a uma festa da qual não fazem parte, salvo por quotas limitadas». Criada em Peru mas residente logo no México, Venezuela e França, Patricia de Souza escreve desde a liberdade de quem tem escolhido seus próprios referentes, em espanhol ou francês, femininos ou masculinos.

* Escritor

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