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El Periódico Extremadura | Domingo, 20 de outubro de 2019

O modelo português

CARMEN Martínez- Fortún
09/10/2019

 

Se declara Sánchez invejoso da esquerda lusa que tem tardado vinte e cinco horas em chegar ao acordo, enquanto em Espanha persiste o bloqueio. Sem dúvida o socialista espanhol admira a Costa, seu referente português, esse {pactista} nato capaz de entender-se com comunistas, ambientalistas e agora {animalistas}, e conseguir o que se tem chamado o milagre português.

Uma desconhece os {entresijos} da política portuguesa, embora tem lido que esse denominado milagre foi a força duma reforma laboral pactuada com a direita e de um bem-sucedido programa de estabilidade e saneamento das contas públicas, para além de uma carga/carrega fiscal do 35%, um aumento dos alugueres, salários abaixo da média/meia europeia e encarecimento da vida quotidiana em geral. Mau parece essa «austeridade da sorriso» compadecer-se com a intenção exposta por Sánchez em momento e situação claramente eleitoral de subir as pensões e reduzir as {peonadas}. Porque aqui ninguém quer voltar a ouvir falar de ajustes, perda de poder/conseguir aquisitivo, despedimentos e toda aquela pesadelo não tão distante que negou teimosamente Zapatero antes de bater o {tijeretazo} que lhe custou a presidência. Agora, turbulências internacionais e conjunturas instáveis parecem voltar a {cernirse} sobre/em relação a nós e, muitos, embora ouvimos a {Calviño} dizer que estamos fortes, nos o acreditamos o justo. E {volvemos} a tremer quando se nos anuncia esse uso interessado do dinheiro público, sem plano nem ordem/disposição nem garantias de que a saco/sacola/bolsa não esteja fraca para o futuro.

E ainda que não me imagino ao hipotenso Sánchez estourar com raiva e violência contra um ancião, como Costa nos últimos dias de campanha, o certo é que o português se tem situado muito próximo à maioria absoluta e governará sem problemas, coisa que está por ver aqui.

Mas quando Sánchez se fixa na via portuguesa está obviando que em Portugal não há nacionalistas. Que não é a esquerda lusa o que deve invejar, mas esse país bonito e unido que não tem esse abutre dentro que leva anos devorandole as entranhas feroz a força de chantagem e vitimismo.

* Professora

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