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El Periódico Extremadura | Sexta-Feira, 24 de novembro de 2017

{Milana} ‘{redícula}’

DANIEL Salgado
12/09/2017

 

Há dois motivos para não estar de acordo (eu, certamente) com a {performance} dos que viajaram a {Atocha} caraterizados como personagens de Os santos inocentes com o propósito de mostrar assim sua indignação pela situação do transporte ferroviário na Extremadura.

Para começar, porque não se entende a identificação com estereótipos duma Extremadura pobre, analfabeta, etc., que já não existe. O que existe é uma Extremadura resignada a tudo, até ao ponto de aceitar que o TGV se calhar não seja um impossível, como se lhe diz, mas também não, se calhar, em fim, uma necessidade, como se diz a sim mesma. Tanto/golo é por isso até se conformaria com um comboio elétrico, como eu me conformava com uns {soldaditos} de plástico quando os Reis Mágicos esqueciam trazer-me precisamente o comboio elétrico. O que existe é uma Extremadura que tem seu próprio lugar-comum, como Catalunha a {tacañería} ou Andaluzia a brincadeira, por exemplo. ¿É que o lugar-comum da Extremadura é a miséria, os {Azarías} que se {mean} as mãos, as {Régulas} secas...? ¿A que, nessa altura, caraterizar-se do que não se é? Extremadura nem sequer é Puerto Hurraco, como prova esse de Huesca, em {Fago}, que se «fartou do presidente da Câmara Municipal» e o matou como a um coelho, a {escopetazos}, só/sozinho por isso, porque «se fartou». Não, para criticar o ridículo não é preciso dizer «{redículo}».

Mas é que também não se entende (ou eu, em fim) o {desentendimiento} do governo regional, como se se tratasse de um mau cuja solução não está nele. Tão obrigado está a isto como a obter uma financiamento autonómica justa, por exemplo, ou, se «{non} {piove}, {porco} {governo}!», mesmo melhores condições meteorológicas. Dinheiro nunca há, já se sabe, mas lhe corresponde tirar dinheiro de debaixo de as pedras ou diretamente do bolso do ministro que corresponda. Certamente, oferecer {longanizas} e botas de vinho obriga a pensar que Extremadura é realmente {parva}, em verdade ‘inocente’.

Se começa por Os santos inocentes e se termina por Pascual Duarte, um lugar onde ainda se {escopetean} cães e os porcos se comem aos meninos. Para mostrar maior indignação, em fim, em {Atocha} faltou um menino {ahorcado}. ¡{Quiá}, {milana} bonita!

* Funcionário

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