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El Periódico Extremadura | Quarta-Feira, 20 de junho de 2018

México submisso e insubmisso

MARIO Martín Gijón
13/01/2018

 

Há/faz pouco se encerrou a Feria Internacional do Livro na Guadalajara de México, a segunda mais importante do mundo.

Sua última edição teve como convidados aos escritores madrilenos, embora também foram alguns cacerenhos, como a poeta {Ada} Salas ou o historiador Juan Andrade. Para qualquer cacerenho, México está presente em suas ruas ({Cuauhtémoc}, {Caupolicán}, Isabel de Moctezuma) e nas estátuas de Cortés e {Nezahualcoyotl}, embora para a maioria sejam «o cavalo» e «o indiano», respetivamente.

Para qualquer espanhol, México oferece uma dobro impressão do conhecido e o diferente, com um passado complexo e uma literatura brilhante. Com 128 milhões de habitantes, é o centro demográfico e provavelmente acabará sendo o centro cultural do mundo hispano.

Neste ano celebrar-se-ão eleições, no meio de um descontente popular que não refletem nossos meios. Ao fim e ao cabo, Espanha é, após EUA, o primeiro país investidor no México. Como dizia uma amiga mexicana, é certo que a coisa «vai bem» para os negócios: «Tu podes montar uma empresa e fazer-te rico explorando a milhares de mexicanos».

Há o México submisso, começando pela classe política que encabeça o presidente Enrique Peña Nieto, que quebra relações com Coreia do Norte para {congraciarse} com um Trump que chama «ladrões e violadores» ao povo/vila mexicanismo. «Uma bola de {culeros}», segundo {Flavio} {Barbosa}, editor independente, especializado em movimentos políticos (os zapatistas, o Kurdistán), mas que também tem reeditado Profunda retaguarda, a «romance de {Cuernavaca}» do exilado espanhol José Herrera Petere, com prefácio do crítico Mario Casasús.

O {PRI}, {encenagado} até as sobrancelhas na corrupção, pratica uma política que apaixona às multinacionais, por exemplo abrindo o sector petrolífero, que nacionalizou Lázaro Cárdenas em 1938, às companhias privadas, deixando que {Uber} arruíne aos taxistas e, em geral, deixando que avanço a {precarización} da maioria em troca do enriquecimento dos afins.

Por isso não estranha que as sondagens dêem uma leve vantagem a Andrés Manuel López Obrador, com seu Movimento de Regeneração Nacional ({MORENA}), apesar dos previsíveis {amaños} (compra massiva de votos incluída) que já impediram sua vitória em 2006.

O México insubmisso, que não sempre tem sabido canalizar seu descontente pelos leitos mais construtivos, necessita uma mudança que desminta a ideia de que só/sozinho o crime pode salvar da miséria a «os de abaixo» dos que falou Mariano Azuela e cuja esforçada vida transmite David Arias Negrete em seu emotivo romance Tempestade de flores. Esses em cujo nome se fez a Revolução de 1910 e que continuam a estar abaixo, enquanto uma elite {criolla} atirando a branca se bate a vida pai, olhando mais a seu vizinho/morador do norte que a seus compatriotas, sem importar-lhes que em quinze anos a pobreza se tenha estendido, duma quarta parte, a quase a metade da população.

* Escritor

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