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El Periódico Extremadura | Sábado, 25 de novembro de 2017

Menos {resiliencia} e mais resistência

Perante uma situação atual se empurra aos jovens a um sobreesforço formativo

VÍCTOR Bermúdez
06/09/2017

 

Se em algo coincidem os filósofos, {politólogos} e economistas que ouço e {leo} ultimamente é que nos {aproximamos} a um período de enorme incerteza e, em grande medida, imprevisível. Mesmo assim muitos predizem, a curto e meio prazo, uma crise estrutural maior que a de 2008 e, alguns, o colapso irreversível do capitalismo (quando não uma catástrofe ecológica ou bélica {concomitante}).

Numa obra recente, {Wolfgang} {Streeck} (¿Como terminará o capitalismo?) resume as causas que nos empurram à crise e a um período indeterminado de desordem global que o chama «postcapitalismo infragovernado»: estagnação da produção, aumento grotesco da desigualdade, {multiplicación} da dívida, pseudogoverno global por parte de oligarquias económicas, crise fiscal das democracias (que, em mãos do poder/conseguir financeiro, não poderão proteger já aos cidadãos dos vicissitude do mercado), demolição das instituições (Estados, sindicatos) que ainda defendem ao trabalho, os recursos naturais (e ao próprio dinheiro) de seu {mercantilización} absoluta, corrupção endémica, anarquia no âmbito das relações internacionais...

A tudo isto se acrescenta –afirmam {Streeck} e outros– a incapacidade do capitalismo para reinventar-se com as fórmulas já sabidas (novos {nichos} de emprego, expansão de mercados, borbulhas financeiras, investimento público...) e a ausência de alternativas políticas solventes. Durante um longo/comprido período –concluem– o capitalismo não poderá renascer nem ser substituído, e o mundo se submergirá numa sorte de «idade escura» na qual o mercado terá arrasado com toda instituição coletiva que pudesse travar seu cobiça, deixando-o tudo em mãos de indivíduos e estruturas sociais {neopaleolíticas} (famílias, grupos de {compinches}, peritos a ordenado...) entregues à improvisação oportunista em defesa de seus interesses.

Imagino este paisagem apocalíptico e se me vêm à cabeça os alunos que receberemos estes dias nas salas de aula. ¿Que futuro lhes aguarda? ¿Para que os estamos educando? No mundo que lhes tocará viver já não terá empregos de baixa qualificação (todos estarão «{deslocalizados}» nos subúrbios asiáticos), os melhores postos em empresas ou no Estado estarão reservados para elites (cujos filhos não se educam em centros públicos), e nem sequer terão trabalho em cargos meios de empresas ou administrações, não só/sozinho pelo estagnação económica ou o emagrecimento do sector público, mas pela imparável {informatización} e {robotización} dos processos produtivos e de gestão.

Perante esta desesperante situação se empurra às novas gerações a um sobreesforço formativo que parece a todas luzes frustrante, mas que é promovido como paliativo ao desemprego e sustentado pela ideologia da «{resiliencia}», isto é, por tudo o sistema de crenças que ao «{ethos}»protestante do trabalho duro e a competência individual acrescenta os valores da «psicologia positiva». Desde esta perspectiva ideológica nossos alunos devem formar-se e competir até à extenuação, e entregar-se logo, sem reservas nem garantia alguma, ao mundo absolutamente {disruptivo} do mercado laboral global. E devem fazê-lo, além disso (¿como suportarlo se não?) com invencível otimismo, interpretando as novas condições laborais (tão abusivas como possam ser as ânsias de benefício de um mercado {ingobernado}) como ocasião para desenvolver e pôr a prova sua autonomia e engenho, e autoculpabilizando's, por {ende}, de tudo possível fracasso.

Tudo isso em troca de um improvável emprego extenuante e mau pago, a obrigação moral (tão à americana) de «ter um sono/sonho» (quanto menos realista melhor) pelo que lutar sem descanso/intervalo, e o consumo compulsivo de {mercancias} de baixo custo –incluindo entre elas às relações humanas em rede– .

Frente a esta «psicopolítica» (que diria o filósofo Têm) da «{resiliencia}» caberia ainda educar aos jovens numa cidadania da resistência, isto é, e no mínimo, no pensamento e a consciencializa crítica não só/sozinho do que muito provavelmente se nos {avecina}, mas, também, de toda a espessa cortina de fumo que se gera para ocultá-lo. ¿Mas seremos ainda capazes?

&{lt};b&{gt};* Professor de Filosofia.&{lt};/b&{gt};

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