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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 2 de abril de 2020

Machistas, {paternalistas}, feministas

As cifras frias cantam e constatam a discriminação que ainda vivemos por parte da mulher em todas as facetas sociais

ANTONIO Cid de Rivera
08/03/2020

 

De vez em quando ainda ouço a algum perguntar porque é que se queixam tanto/golo as mulheres, porque é que deve ter um dia específico para elas e porque é que saem à rua a protestar o 8-M se a evolução que tem vivido nossa sociedade nos últimos tempos em prol da igualdade foi enorme. Dizem com {condescendencia} e grandes doses de machismo, embora não se dêem conta, que as mulheres, assim em geral, podem fazer hoje em dia o que lhes venha em ganha, que suas vidas nada têm que ver com a que protagonizaram as suas mães e avós, metidas muitas delas em casa baixo/sob/debaixo de o jugo de um homem, e que boa parte das reivindicações que fazem som patranhas de determinados coletivos que vivem do conto. Mesmo chegam a afirmar que, a este passo, vai haver que discriminar positivamente aos homens para que estes alcancem a igualdade em determinadas facetas sociais; como se a luta em prol dos direitos das mulheres fizesse já tempo que tivesse transferido do 50% que lhes corresponde e entrado num terreno que lhe pertence em exclusiva ao género masculino.

A resposta é que enganam-se. Só/sozinho temos de {echarle} um vista de olhos às cifras que hoy reflete nosso ‘Tema do dia’ para dar-se conta de que o agravo segue/continua existindo; só/sozinho temos de olhar qualquer comparativa entre homens e mulheres para comprovar as graves diferenças que ainda se dão em nossa sociedade. Os números não enganam, a frieza das percentagens dum e outro sexo põem de relevo que, apesar da evolução da nossa sociedade, apesar do caminho percurso/percorrido, fica muito por fazer.

A população feminina na Extremadura representa o 50,4% do total. Elas som, em números absolutos, 539.210 habitantes segundo o último censo de 2019. O grosso maior/velho, mais de 340.000, vive na província de Badajoz e outras 198.000 na de Cáceres. Som protagonistas absolutas do mundo rural, mas ocupam um papel secundário ou inexistente em sectores tão ligados a este espaço como som a agricultura ou a ganadaria. Nas cidades vêm a ser a metade dos habitantes, mas bem como começam a representar uma percentagem importante de determinadas profissões, o teto de vidro lhes impede aceder a cargos de responsabilidade que regra geral seguem/continuam ocupando os homens, o que se traduz em salários mais baixos e contratos mais precários quando levam em cima a carga/carrega que supõe o lar e a família.

TEMOS DE RECONHECER que nossa sociedade continua a ser machista. Alguns homens o som e o dizem com descaro sem que ninguém ou muito poucos se o recriminem, o que dá conta do pouco/bocado que em verdade temos evoluído como sociedade igualitária. Outros, por outro lado, dizem ter deixado atrás essa má prática, têm aceite que o feminismo consiste em lutar pela igualdade em lugar de lutar pelas mulheres, mas seguem/continuam mantendo uma atitude paternalista ou de {condescendencia} até as mulheres, o que se traduz em micromachismos e discriminação às mulheres ao situá-las num papel menos relevante/preponderante que o homem. Porque todos podemos precisar ajuda, mas há homens que a oferecem sem que nenhuma mulher se a peça pelo mero facto/feito de sentir-se um degrau superior a elas.

Estou convicto de que quando passem várias gerações teremos alcançado um ponto muito mais alto de igualdade, porque esta realidade alcançou já uma velocidade de cruzeiro que é impossível parar. Mas também estou convencido de que sem os homens, sem esse outro 50% que representa nossa sociedade, vai ser impossível chegar a a objetivo/meta. Temos de procurar homens feministas, sobretudo nas gerações vindouras onde, em muitos casos, recebem mensagens falsas e interessados que confundem a lógica social à que devemos aspirar. Se os jovens não aceitam às raparigas como iguais {raramente} vai-se a conseguir nenhum objetivo e terá que dizer que, em ocasiões, determinados modelos sociais refletidos em televisão ou em determinados artistas não contribuem a isso quando colocam ao homem num lugar preponderante em relação à mulher.

A pior cara da desigualdade é a violência machista. E hoy mais que nunca terá que destacar que 55 mulheres foram assassinadas no nosso país no passado ano por seus casais ou ex-companheiros. Aqui em casa, na Extremadura, entre Janeiro e setembro de 2019, que som os últimos dados que se têm, se registaram 1.895 denúncias por violência de género e se ditaram 663 ordens de proteção. É a constatação com dados, o reflexo cruel do enorme caminho que ainda nos fica por percorrer.

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