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El Periódico Extremadura | Sábado, 15 de dezembro de 2018

Lições catalãs

A social-democracia e a esquerda universal têm seguido/continuado sofrendo recuos

ALBERTO Hernández Lopo
12/01/2018

 

{Convendremos} que aos domingos, em não poucas ocasiões, são dias ‘parvos’. A poucas horas de recuperar rotinas tudo muda. De forma pouco/bocado percetível, mas que dalgum modo se sente. Os ‘peritos’ recomendam deitar-se em braços do ‘{hygge}’ dinamarquês. Algo tão inovador como o usufruir das pequenas coisas de sempre. Por exemplo, perder {lánguidamente} o tempo nos braços duma filme.

E este último domingo, cinema espanhol, contra no qual não {ostento} preconceito algum. Após umas poucas sequências de arranque, se tinham delimitado alguns personagens. Um, muito bem reconhecível: um senhor de mediana idade, conservador (em tudo), católico, de direitas, do Real Madrid, de boa posição económica e com um estranho enxame de móveis de madeira e ícones religiosos, que, em vez de casa, parece habitar um convento levantado no meio do ruído urbano. Um tio ‘como Deus manda’. Um cliché, dirão alguns. O (permanente) abuso de um (falso) estereótipo, digo eu. E {caí} na conta: para muitos dos que fazem e vêem essa filme essa {unidimensionalidad} existe. Essa paródia andante é algo mais que um símbolo

Tudo cliché leva uma parte verdadeiramente, mas simulada até ao paroxismo. Quando nos {limitamos} a expandi-lo, lhe {desprendemos} dessa doses cómica. O que fica é um perfil: reconhecível e {generalizable}. Uma batota/logro, vamos.

Os resultados das eleições catalãs permitem muitas visões. Mas se nos {desprendemos} das (muito) interessadas, há uma da qual não ouço falar e me parece muito relevante/preponderante. Considerada desde um ponto de vista global, a social-democracia que representa o PSOE e a esquerda (supostamente) universal de Podemos, em sua forma catalã, têm seguido/continuado sofrendo recuos. Somente apregoar sua condição de ‘chave’ (agora do Parlament, agora duma governabilidade… {secesionista}) evita verbalizar a verdadeira tendência da esquerda nacional: a irrelevância.

E é somente uma lição. Não é seu falta de definição (esses {dobles} jogos verbais de {Iceta} ou {Domènech}) o que lastrará, em seu caso, seus resultados nacionais. É a falta de um discurso coerente. Até agora esse discurso era simples: procurar a um culpado e estigmatizá-lo. Mas quando o cenário se voltou complexo, e tem requerido posições políticas contrastadas e {defendibles}, a esquerda tem naufragado.

Está enredada em sua própria rede. {Ensimismada} em sua leitura do mundo, caindo continuamente em seus próprios {sesgos}. E daí nasce um dobro erro: o primeiro, deitar-se em mão das minorias. Naturalmente, dentro das mesmas há causas mais que justas que defender e {visibilizar}. Mas a falta de discriminação quando uma minoria reclama, converte a certa esquerda política em cães de {Pavlov}: reagem como autómatos. ¿Se pode defender o nacionalismo duma região rica como se {hablarás} da luta pelos direitos humanos em países árabes, ou nos Estados Unidos dos 60? Não, mas muita esquerda quer acreditar/achar que sim, que têm sua luta e escrevem seu relato. E é isso justamente: ‘seu’ relato. E nele, curiosamente, vai-se desterrando a palavra maioria e o interesse/juro geral.

Outro erro de leitura é o que nasce do linguagem utilizada por eles mesmos. Ao {clamar} ‘pessoas’ pensam que todos encaixam nessa definição. E que essa definição encaixa com o que eles acreditam que as pessoas é. Mas nada mais longe: por isso lhes subida compreender realidades {comprobables}. Que a Ciudadanos se lhe votou maioritariamente em zonas {suburbiales} em Catalunha ou que o PP conta com mais voto ‘popular’ que o próprio Podemos, que é de facto quem tem maior configuração urbana.

E, certamente, o problema da esquerda atual é sua forma de atuação. {Echados} em braços de slogans, ordens e {voceos} de comício. Mas em poucos casos, apresentam propostas, argumentam opções práticas, planificam soluções. A esquerda europeia bramiu contra a crise, mas a solução e a saída (momentânea) se fez desde posições conservadoras. Isso denuncia que tratam a os seus votantes com {paternalismo} e que acreditam que podem tragar-se a complexidade da vida em pílulas. Mas não é assim. E os votantes referendam, para pasmo da esquerda, essa visão em multiplas eleições: querem soluções não debates.

A social-democracia na Europa é necessária. Muitos não o verão assim, e menos que esta frase esteja assinada por um liberal. Mas sim se queremos uma maior abertura nas soluções, um equilíbrio na execução de propostas. Esse socialismo europeu que soube construir e criar democracias plenas, deve voltar. {Desandar} o caminho. Uma lição.

* Advogado, especialista em Finanças.

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