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El Periódico Extremadura | Sábado, 17 de novembro de 2018

Lições aprendidas da moção de censura

Senhor Sánchez, pomos o contado a zero. Recorde, não é um cheque em branco

SONIA González Fuentes
07/06/2018

 

Sim, é verdade, provavelmente nem sequer o mesmo Pedro Sánchez, que como o ave {fénix} ressurgiu de entre suas cinzas, imaginava faz um par de semanas que seria presidente do Governo. Também é certo que o panorama que tem pela frente/por diante é complexo e que, com somente 84 deputados no Congresso, terá que fazer muitos equilíbrios. No entanto, terá um antes e um depois de/após esta moção de censura e acredito/acho que para além de o que vá a passar a partir de agora, temos que tirar algumas lições aprendidas.

Primeira lição. Pela primeira vez em nossa democracia uma moção de censura construtiva, que implica não somente retirar a confiança ao presidente atual mas investir a um novo (para que não se produza um vazio de poder/conseguir), prospera. Que uma sentença judicial, com factos/feitos probatórios, qualifique ao jogo/partido que governa como beneficiário de um sistema de corrupção institucionalizado, era motivo mais que suficiente para apresentá-la; e que tenha prosperado quer dizer que os mecanismos de controlo e rendição de contas têm funcionado. Nesta ocasião, além disso tem especial relevância dado que o jogo/partido que registou dita moção não tinha maioria no Congresso e sete partidos mais, de diferentes cores políticas, a têm apoiado. É, portanto, um triunfo do nosso regime democrático.

Segunda lição. De novo se põe a manifesto o peso e influencia que têm os partidos nacionalistas em nosso sistema político. Me estou referindo à atuação do PNV; faz duas semanas seu apoio ao governo se voltava chave para aprovar os Orçamentos Gerais do Estado, e na passada semana acontecia o mesmo, mas esta vez para derrubá-lo. Num e outro caso aludiram a uma questão de «responsabilidade» (sem especificar de que tipo). Mas uma reflexão sobre/em relação a o acontecido deve levar a reconsiderar-nos seriamente a reforma do nosso sistema eleitoral, que atualmente beneficia aos partidos maioritários em cada circunscrição, e que tem conferido aos partidos nacionalistas o {rol} de partidos dobradiças. Se vem pedindo, por parte dalgumas forças políticas, uma maior proporcionalidade a nosso sistema eleitoral.

Terceira lição. O que passou dalguma maneira ajuda a dignificar a política. Da indignação, os cidadãos passámos à resignação, {habida} conta a imunidade da que gozam os políticos. Desde há algum tempo a cidadania espanhola vem considerando a «os políticos» como um dos principais problemas deste país. Fazer um mau uso dos fundos públicos ou abusar do poder/conseguir público deve ter consequências judiciais mas também políticas. Estamos acostumados a que nossos políticos misturem ambas e nos confundam. Mas o êxito da moção de censura tem rachado a impunidade política. «The {party} {is} {over}», sabemos que não estarão os mais virtuosos, mas pelo menos queremos ter garantias de que serão responsáveis de seus atos.

Lição quarta. Acabou-se a época do rolo e de maiorias absolutas. Temos um sistema parlamentar, e nossos partidos políticos devem aprender a dialogar, a discutir (ouvindo's uns a outros) e a procurar consensos. {Invito} a nossos representantes a que reflitam seriamente sobre/em relação a o {manoseado} conceito/ponto do «interesse/juro geral» (acima do particular ou partidarista). E recordem que o consenso deveria ser não somente político mas também social. Necessitamos construir pactos sociais sustentados, estamos ávidos deles: educação, saúde, pensões… e naturalmente também territoriais.

Tenho ouvido a Pedro Sánchez falar de «humildade», de «entrega», de «determinação». Senhor Sánchez, tem acabado sendo presidente sem ganhar umas eleições. Pomos o contado a zero. Recorde, não é um cheque em branco. Ao resto de partidos políticos que têm apoiado a moção de censura, lhes peço responsabilidade e {mesura}. Ao que não a apoiou, coerência. E ao que perdeu, que não esqueça que as instituições, para além de as pessoas, importam.

*Médica em Ciências Políticas.

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