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El Periódico Extremadura | Quinta-Feira, 23 de novembro de 2017

Lição de matemáticas

PILAR Galán
14/09/2017

 

Somos matemáticas, quem ia a dizê-lo. Toda a vida dedicada às letras para acabar dando'm conta de que no fim não há mais que números.

Ao início foi o Verbo, sim, mas imediatamente nos {convertimos} em conjuntos, isso tão antigo, em diagramas, probabilidades, ou simplesmente somas, subtrações, divisões e {multiplicaciones}.

Alguns somos seres tridimensionais. Este verão, sem ir mais longe, eu me tenho posto cilíndrica. Já chegarão os bons propósitos que limarão nossas arestas e nos deixarão nos ossos, puro nervo, sem volume. Ou não, mas entretanto por aqui {andamos} misturados os cilindros com as pirâmides esbeltas, os simples baldes, a magia dos prismas e os {octaedros}, perdidos num mar de vértices e arestas, áreas complicadas dos sólidos platónicos.

Menos mal que existem as esferas maternas e acolhedoras, as borbulhas onde podemos esconder-nos de tanto/golo ângulo solto.

Eu quase prefiro ser tridimensional a ser quadrada ou triangular. Me gostam mais as pessoas que podem montar-se e desmontar-se numa classe de crianças, adotar formas diferentes, adquirir seu esplendor nas mãos de um menino.

Me resulta muito mais aborrecido alguém quadrado, de ângulos retos {insalvables}. E não digamos já dos {obtusos}. Ou dos agudos.

Prefiro perder-me na magia dos vértices. Ou na simplicidade de um balde e não de um {googológono} que soa a animal mitológico descabeçado e furioso.

Mas não falávamos de mitologia, mas de matemáticas e pessoas. De {hipotenusas} e {catetos}, de {paralepípedos} e {chiliágonos}, de {recovecos} onde se escondem as más intenções como nos triângulos {obtusángulos}, de planos infinitos onde também mostra-se a bondade humana.

Somos puro {Pitágoras}, justa medida. O que {ganamos}, o que temos crescido, nosso peso, nossos amores e deceções, a {bisectriz} que nos divide e a tangente impossível.

Tudo pode contar-se, até aqueles conjuntos vazios que tanta angustia nos causavam na infância, o número de {obtusos}, as mentes quadradas.

Tudo pode resolver-se, basta com encontrar a xis e {despejar} o acessório. Somos matemáticas, sim. Parece simples viver. Só/sozinho que a vida é de letras, e soma e diminui, multiplica e divide e se ri de seu próprio caos, sem ater-se às normas.

* Professora

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