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El Periódico Extremadura | Domingo, 24 de junho de 2018

El (l/n){egado} de Rajoy

MARIO Martín Gijón
09/06/2018

 

En a breve história democrática de Espanha, as semanas passadas ficarão como das mais surpreendentes, com a nomeação como presidente de Pedro Sánchez, ano e meio depois de/após que fora {defenestrado} vergonhosamente por seus companheiros de jogo/partido, e após regressar vitorioso triunfando numas primárias com tudo o aparelho contra. A moção de censura serviu para iniciar/dar início o que tivesse podido dar-se já em Março de 2016, se Podemos não tivesse votado junto ao PP contra a candidatura do PSOE apoiado por Ciudadanos. Com tudo, estes dois anos não foram completamente uma perda. Têm servido para que se evidencie que os de Ribeiro já não são um jogo/partido liberal equiparável ao {LibDem} britânico ou ao {FDP} alemão. Sobretudo desde sua vitória em Catalunha (que para que lhes serve, se não têm impulsionado nenhuma iniciativa para que tivesse um governo não independentista), Ciudadanos joga a vaza do nacionalismo centralizador que só/sozinho serve para que mais bascos ou catalães prefiram ir-se de Espanha se chega ao poder/conseguir um jogo/partido semelhante. Do mais vergonhoso que se tem ouvido no parlamento foi a Ribeiro animando aos independentistas a que se aproveitem agora para «violar direitos e liberdades» porque logo virá ele e se as fará pagar todas juntas.

Se realmente Ciudadanos consegue herdar ao PP (eu tenho minhas dúvidas), se confirmará que em Espanha, os partidos de direita não são mas instrumentos intercambiáveis para manter as hierarquias económicas, incomparáveis à tradição de 140 anos que pode acreditar o PSOE. El legado de Rajoy, negado por ele, será o do abuso que desse papel jogou o PP, saqueando as instituições por ativa e por passiva (por ativa, roubando de maneira direta ou indireta; por passiva, desmantelando o público), deixando uma sociedade mais desigual, com uma recuperação mínima que tem beneficiado a algumas grandes empresas mas do qual não vê nada uma população empobrecida e, no caso da maioria dos jovens, destinada à precariedade e ao {desclasamiento}.

Negado para qualquer visão de futuro, baseando-se em o tijolo e o turismo enquanto recortava em inovação e investigação, Rajoy confiava no medo ao mudança duma população maioritariamente envelhecida e na habitual divisão da esquerda, sem esquecer a carta do confronto fratricida com os catalães diabolizados. Se o problema de Catalunha é agora dos mais graves, é óbvio que nem o PP nem Ciudadanos, que consideram à metade dos catalães como inimigos suscetíveis de cadeia, podia fazer outra coisa que {enconarlo}. A direita mediática bombardeará a Sánchez como o presidente que chegou com o apoio dos independentistas, como a Zapatero o associavam com ETA. Mas este terminou com o terrorismo basco, sem ceder um ápice. Quem sabe se Sánchez arranjará a situação em Catalunha, mas pelo menos não atirará gasolina ao fogo, como fazem PP e Ciudadanos, os maiores/ancianidade fabricantes de independentistas.

Rajoy, que tanto/golo presume de ser espanhol (se tivesse nascido um pouco/bocado mais ao sul presumiria de ser português), não entende aos espanhóis. O demonstra sua perplexidade pelas dois eleições que perdeu perante Zapatero, rival ao que desprezava, mas que soube iludir à maioria de seus compatriotas. Também não entende que a maioria dos espanhóis não se resignasse a uma política do medo à liberdade e ao mudança.

*Escritor.

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