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Jornalismo e redes sociais

Os velhos cânones do jornalismo continuam a ser válidos para esta nova era da internet onde a rapidez pugna com a rigorosidade

 

Jornalismo e redes sociais -

ANTONIO Cid de Rivera
23/02/2020

Tenho por norma não fazer-lhe caso aos comentários de redes sociais. Cada dia há pessoas que me repreendem ou acusam de ser vermelho ou azul, segundo o dia que toque, mas tenho autoimposto não responder, fazer ouvidos de mercador, encolher-me de ombros e pensar noutras coisas. Há ocasiões nas que penso que se calo, {otorgo}; mas no fim {considero} que dando-lhe {pábulo} ao {insultador} de revezo só/sozinho {contribuyo} a sua propagação e crescimento e, em consequência, {egolatría}. Porque lhes {confieso} que as redes sociais acolhem todos os {males} que encerra em seus {adentros} a condição humana: inveja, soberba, cobiça, ira. Só/sozinho falta {lujuria}, {pereza} e gula para completar os sete pecados capitais.

As conversações de barra/balcão de bar de antes se transferiram às redes sociais e resulta um {chollo}. Sem mover-se de casa, com a cerveja ou o café à beira de a mesa, e dando-lhe à tecla do telemóvel, repreendendo a quem um considere sem precisar causa ou razão. Agora insulto a este, agora me {meto} com aquele, agora lhe {contesto} ao de mais além. Como no bar quando entrava o fanfarrão de revezo e ninguém lhe dizia nada apesar de suas provocações até que o proprietário do estabelecimento tirava o afinco suficiente para pô-lo na rua. Agora tem tudo isto à mão de semear e ao mesmo nível que toda a gente, seja um senhor ou senhora com responsabilidades, seja um que passava por ali e leva-se um {zasca} porque lhe dá a ganha, por essa malícia {intrínseca} do inábil da classe que lhe põe a rasteira ao marrão da escola quando sai ao pátio da escola.

Não digamos já se o protagonista se oculta baixo/sob/debaixo de uma falsa identidade ou tem um perfil que não se corresponde com a realidade. Estes são os piores se me apuram. Miúda pechincha, ¿uma capa que faz-lhe invisível para repreender a tudo Cristo e com total impunidade? E em cima num meio de comunicação como é uma rede social cujos proprietários não estão nem em Espanha e perante uma procura para exigir uma revelação de identidade se negam ou a {obvian} alegando que está dentro das condições ou normas aceitadas por aqueles que se {adhieren} à mesma. Larga é Castela, adiante com os {sartenazos}.

Reclamo o papel dos meios de comunicação uma vez mais. Nesta nova era da internet, onde há aqueles que consideram que o jornalismo tradicional tem morto e aqueles que vivem agora são os milhares e milhares de internautas que informam ou acham em tempo real daquilo quanto acontece, tenho que dizer-lhes que enganam-se. Que a profissionalismo de um jornalista é um valor em si mesmo, sobretudo se quando escreve o faz com seu nome e apelidos e, além disso, goza do apoio de um meio de comunicação sério, perfeitamente identificado, que salvaguarda os valores sociais que correspondem a uma democracia ao mesmo tempo que vela porque tudo este estreitamente se leve a cabo baixo/sob/debaixo de pelos leitos legais e de responsabilidade social.

O ‘não {dejes} que a realidade estrague um bom titular’ é uma espécie de anedota ou {chascarrillo} que se conta nas redações dos jornais quando aparece um facto/feito {noticioso} e impactante e logo a seguir um organismo oficial o desmente. Um pensa: «o tinha que ter escrito/documento antes». Estou farto de ver notícias em redes sociais e inclusivamente nalguns portais de pseudomeios de comunicação que a posteriori têm resultado falsas. Agora a máxima das redações é: «não {dejes} que as pressas te façam pôr um titular falso que logo {tengas} que desmentir». O prestígio do jornalismo de antanho tem que seguir/continuar valendo para os novos tempos e nesta sociedade tão rápida onde o de ontem resulta passado, é mais necessário que nunca contar com referentes informativos que digam a verdade e, se não a têm, diretamente não a publiquem.

¿Quantas vezes chegam a um jornal mensagens de {whatsapp} acerca de um facto/feito determinado que resulta ser falsos? ¿Em quantas ocasiões temos de ir às fontes oficiais para contrastar este tipo de informações? Quase todos os dias. E se faz porque seria de néscio não aceitar estes leitos de informação; seria não estar consciente de a realidade onde se vive. Mas igual que antes uma fonte anónima chamava a um jornal falseando a voz e dando um dado que podia ser certo ou não, agora é um re-envio de um mensagem ou um comentário duma rede social ao telemóvel de um jornalista. Antes igual que agora terá que comprovar sua veracidade.

Temos uma nova realidade e o jornalismo tem a oportunidade de continuar a ser necessário à sociedade. Um velho professor da profissão me disse faz muito que os jornalistas tinham que estar sempre onde estava as pessoas, mas sabendo que às vezes as pessoas mente. Pois bem, terá que estar também nas redes sociais porque com efeito as pessoas está aí, mas seguir/continuar empregando esta mesma máxima de que, em ocasiões, o que se diz ou se escreve pode ser uma grande mentira.